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João Távora

Uma história sem moral

No outro dia, ao contornar a sumptuosa estátua do Marquês de Pombal, a minha filha de sete anos perguntou-me quem era aquele personagem de cabeleira lá em cima de tão magnificente pedestal. Falei-lhe então do Sebastião José, politico astuto, ambicioso e visionário. Acontece que por razões óbvias e para não faltar à verdade não pode ignorar o seu carácter facínora. Logo notei como criara a confusão naquela cabecinha maniqueísta e cheia de conceitos absolutos. Perguntou-me a seguir como é que aquele senhor, depois de ter mandado matar os Távoras e os padres Jesuítas não tinha sido preso pela polícia; ao que eu, encurralado, elucidei-a  que era ele que mandava na policia, e que na realidade a vida era complicada e nem sempre era justa. Expliquei-lhe ainda, com afecto, que ao contrario das histórias do Tintim que lhe leio à noite, e dos contos da Disney que ela consome deliciada, na vida real nem sempre ganham os bons. Já em silêncio, cruzámo-nos então com a estátua do António José de Almeida a caminho da casa da avó que agora mora ali prá Almirante Reis.

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