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João Távora

A crise da crise da crise

Com o inesperado exacerbar das suspeitas de envolvimento José Sócrates no caso Freeport, para mais "importadas" duma missiva do “mundo civilizado” de onde não se conhecem as queixas ao funcionamento da justiça, parece-me que o nosso primeiro ministro fica definitivamente fragilizado para os desafios que a trágica conjuntura económica promete. Com ou sem eleições antecipadas, o problema dele agora é o de enfrentar uma inglória luta contra o tempo da justiça, na perspectiva duma sua clara ilibação a tempo de disputar as eleições.

Bem sei que eles nos queriam a todos, do Minho ao Algarve, a discutir o casamento dos homossexuais entre copos de Gin Tónico, de preferência no Bairro Alto ou na 24 de Julho. Mas o problema do país é outro, é o da crise Freeport, que acontece sobre uma grave crise financeira, sobreposta à nossa crónica crise estrutural, arrastada por muitos governos, quase todos tão socialistas como ineficazes.

Creio que o descrédito dos portugueses nos políticos e nas suas instituições bateu no fundo. Assim, não antevejo saída deste lamaçal que não passe por uma regeneração profunda ao sistema, um projecto patriótico de Salvação Nacional que com autoridade resgate os seus principais protagonistas – os portugueses.