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João Távora

Cortinas de fumo


Um amigo meu há uns dias na caturrice gabava-se da sua veia esquerdista ao defender a liberalização das drogas “leves”. Perguntei-lhe se tinha consciência dos efeitos dessas substâncias nos miúdos, como a perda de concentração, auto-segregação e declínio no rendimento escolar. Finalmente indaguei se tinha adolescentes em casa. Confirmou-me que não.

Com quarenta anos de propaganda mais ou menos explícita na industria do espectáculo direccionada aos adolescentes, as drogas, mais ou menos pesadas, continuam a fazer vítimas e danos na nossa sociedade, já de si em rápida mutação e crise de valores. Impotentes perante o flagelo, as sociedades liberais ensaiam soluções, incluindo a liberalização. Não sou crente em teorias da conspiração, mas a quem interessa este estado de coisas? À colossal indústria de estéreis terapêuticas da toxicodependência, e às grandes farmacêuticas e seus incipientes paliativos?

Reconhecendo a complexidade do problema, a questão da proibição ou liberalização das drogas leves ou pesadas, mais do que a sua real eficácia legal, é para mim uma questão de ética. O sinal emanado pela lei não me parece uma questão menor: nalguns dos princípios promovidos na ordem doméstica, eu prefiro ser apoiado pela legislação do meu país.

De resto, se para algumas favorecidas luminárias da nossa praça o consumo de droga significa apenas uma caprichosa  diversão de circunstância, tal não altera o seu cariz desestruturante e funesto para a generalidade dos indivíduos.


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