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João Távora

A bem da Pátria


 


Um SMS caiu ontem a meio da tarde no meu telemóvel com uma notícia que me deixou inquieto: o nosso primeiro-ministro, num exemplar acto pedagógico, anunciou aos portugueses que vai deixar de fumar!


Entende-se a solene comunicação. Há uns anos, quando tomei a mesma decisão, o meu médico aconselhou-me a anunciá-lo às pessoas mais próximas, familiares e colegas de trabalho, precavendo-as para um período emocionalmente instável na minha existência. No caso vertente de José Sócrates, sou levado a acreditar que ele considera todos os portugueses seus próximos, coisa que, dadas as suas funções e para mal dos nossos pecados, não deixa de ser verdade.

Dizem-me fontes bem informadas que o nosso primeiro-ministro quando está sob pressão tem "mau feitio", tem "pêlo na venta", enfim, é irascível. Assim sendo, esta sua decisão nesta altura, parece-me tão corajosa quanto inadequada: com uma crise económica mundial, eleições legislativas e a oposição de Manuela Ferreira Leite no horizonte, o panorama é o menos indicado para o nosso primeiro deixar de fumar. E não se julgue que é só o seu chefe de gabinete ou o Dr. Manuel Pinho que se arriscam, numa bela manhã de Verão, a levarem uma monumental e desabrida desanda, numa crise aguda de privação do furibundo Sócrates. Imaginem simplesmente que num belo dia, numa qualquer cerimonia inaugural de Estado, o homem se insurge descontroladamente contra uns manifestantes desempregados, obrigando a polícia de choque a intervir protegendo o povão imprudente e mal-agradecido.


Com este intimo anúncio, estamos todos preparados para o pior. Mas bastará um singelo pedido de desculpas, que o pessoal talvez vá perdoá-lo: “coitado, é uma má fase, vejam lá como ele está mais gordo... deve ser dos bolos e dos calmantes”. 


Eu cá por mim e para bem da Pátria, acho melhor que alguém lhe ofereça depressa um maço de SG filtro e uma carteira de fósforos. E de caminho que surja um líder de jeito e uma nova maioria que governe este malbaratado país.

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