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João Távora

A Igreja que eu conheço III

Há algum tempo prometi dar a conhecer iniciativas ou causas da Igreja que assumo pertença, tão nobres quanto esquecidas pela implacável Comunicação Social dos Sound Bites e pela cultura burguesa anticlerical. Nesta adolescentocracia leviana e estéril em que vivemos, reconheço a dificuldade em testemunhar o pulsar orgânico desta religião milenar tão complexa quanto plural. A orgânica da Igreja, não obedece à lógica do partido político, da linearidade das facções, muito menos a uma lógica empresarial. O objecto da religião é Deus criador que devolve ao homem a esperança no seu amor. Uma descoberta que tem o poder de mudar as vidas das pessoas comuns, de lhes trazer a felicidade e imprimir um sentido maior. Essa é uma graça que um dia descobri e que continuo a redescobrir numa caminhada de crescimento interior, feita de vitórias e de hesitações, avanços e recuos.


Muitas vezes tida como importante para a formação do indivíduo, a formação religiosa vulgar queda-se normalmente pelo terceiro ano, ocasião da Primeira Comunhão, ritual festivo muito popular nem sempre pela razão certa. Assim, a catequese termina precocemente para quase todos os miúdos com um fatinho de cerimónia e os inerentes festejos gastronómicos. Prevalece assim uma formação religiosa precária, um saber infantilizado, totalmente ineficaz para as questões existenciais de qualquer adulto com um mínimo de criticismo racional.

A catequese ministrada nas paróquias é disponibilizada até ao décimo catecismo, e a partir daí, a Igreja possui diversos movimentos autónomos, onde o crescimento e o aprofundar do conhecimento religioso é concebido para distintas apetências estéticas ou intelectuais: das comunidades Neo-catecomunais, aos intelectuais Comunhão e Libertação, dos grupos GEN aos sensoriais Carismáticos, aos Jesuítas CVX (Comunidades de Vida Cristã) e tantos outros, são muitos os movimentos católicos onde a vivência cristã é apreendida e praticada num crescendo de compromisso e maturidade.

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