Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

João Távora

O alarme de Alegre


Auto-convencidas do seu monopólio sobre as causas dos mais desfavorecidos, “as esquerdas”, herdeiras da cultura revolucionária, rejubilam aos primeiros sinais da anunciada crise económica mundial. Com uma classe média vulnerável e grosseiras disparidades sociais, características do real subdesenvolvimento do nosso país, preocupa-me o eco que um discurso demagógico e populista que a nossa esquerda  Alegre possa causar. Sabemos bem onde a esquerda radical tradicionalmente vai encontrar os bodes expiatórios e as soluções para as complexas entropias do imaturo sistema produtivo e da deficitária economia nacional.


Quando Santana Lopes, o mais mediático politico da direita doméstica, na campanha para a liderança do seu partido, acusava publicamente José Sócrates de “socialista de meia tigela” por não enfrentar as nossas fatídicas questões sociais, não fez mais do que reconhecer implicitamente ao “socialismo” a propriedade intelectual dos ideais de justiça social. Um preconceito tão erróneo quanto enraizado no discurso monolítico da política nacional.


A um ano das eleições legislativas, é com este perigoso caldo politico que o país mergulha lentamente numa crise económica de consequências imprevisíveis: com uma vigorosa esquerda radical e demagógica, uma outra  tecnocrata e incompetente, passando pela direita que se apresenta sem norte, sem liderança e sem causas.  

E porque pior é sempre possível, é bom que o alarme da Trindade nos soe bem alto.


 

Imagem do Público

10 comentários

Comentar post