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João Távora

A boa conversa

Nunca me esquecerei dum genuíno elogio feito há muitos anos ao meu avô homónimo, vindo de um desconhecido que com ele privara: “o seu avô foi dos melhores e mais divertidos conversadores que conheci em toda a minha vida”.


Hoje reconheço o valor da rara, boa e sã conversa. Descomprometida e desinteressada, sem constrangimentos. Que desfrutamos com amigos especiais ou em raros estados de graça. Conversa cúmplice que simplesmente acontece, e não se encomenda. Com a qual resolvermos os verdadeiros problemas do mundo e da existência, principalmente a dos outros. Discutindo o tudo e o nada, um livro, um autor; recordando memórias, aventuras, gaffes ou anedotas, risos e gargalhadas. Zombando dos outros, da vida e de nós próprios. Até às lágrimas, até ao silêncio, até à próxima.

A boa conversa é prática rara e fidalga que só os espíritos livres podem alcançar. Sem pretensões, pelo simples prazer de se estar vivo e de nos termos uns aos outros. Para uma bela e salutar cavaqueira.

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