Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

João Távora

João Espinho


 Bilhete de Identidade


 

Quando recebi o convite do Pedro para participar com um texto aqui no Corta-fitas, fiquei a pensar com os meus botões sobre o que escrever e que interessasse à plateia urbana que frequenta esta casa.


Eu, um tipo da província – já lhe chamaram Alentejo profundo e mais recentemente deserto – que isco poderia lançar para atrair os habituais e mais alguns leitores?


Colocou-se-me logo uma questão: se faço uma coisa muito bonitinha, vou fazer crescer as audiências do Corta e, assim, dar mais visibilidade à concorrência.


Sim, o que é que pensam? Isto de andar a escrever em blogs é, para além do que se possa pensar na Câmara Municipal de Santarém, uma luta desenfreada na conquista de cliks e page views. Sem uma Entidade que regule o que por aqui se passa – há entidades que não regulam bem, mas isso fica para a resposta ao próximo convite do Pedro (se for a Cristina FA também não me importo), sem definição exacta do prime time blogosférico, isto de escrever em blogs, dizia eu, é uma verdadeira selva e uma grande chatice, para além dos riscos que acarreta uma exposição assim descontrolada.


A propósito de riscos – e isto é um pequeno parêntesis – sabem que há uns tempos o meu carro foi por várias vezes atacado por vândalos que lhe deixaram marcas por todo o lado? Pois, é o que dá andar a escrever coisas em blogs e ainda por cima daquelas coisas que irritam os directores das nossas freguesias,


Mas adiante.


Retomando o primeiro parágrafo, a dúvida principal que se me colocou foi: escrevo em português, alentejano ou em alemão? Vou arriscar-me na nova ortografia ou deixo-me estar como estou?


A parte de escrever em alemão até me agradou. Ninguém – ou poucos – iria entender do que se falava, linkava o texto na comunidade fotográfica a que pertenço mas, mais uma vez, cá estava eu dar milho à concorrência. Não, isso é que não, apesar de poder depois pegar no texto (auf deutsch!) e levá-lo ao meu chefe dizendo-lhe que havia suplantado os objectivos, pelo que a classificação do desempenho profissional deveria reflectir-se num pequeno suplemento monetário, que a vida não está fácil e a gasolina está cara.


Às voltas com o tema para esta crónica, também pensei em falar sobre a minha aldeia, dos fregueses que ainda cá sobrevivem, do aborrecido que se tornou viver longe das filas da 2ª circular ou das que alimentam a auto-estrada para o Algarve no primeiro de Agosto, também me passou pela cabeça debitar aqui sobre a diferença entre açorda e migas, entre paio e chouriço ou, calcule-se, sobre os prodígios da hortelã-da-ribeira, que muitos confundem com poejos, ervas que ainda não foram alvo das entidades reguladoras ou das autoridades que pugnam pela nossa segurança alimentar. São sabores e aromas que poderão experimentar, se pagarem, numa bela almoçarada, regada com néctares alentejanos e onde, espero, haja os sons do meu Alentejo.

E assim, aos trambolhões no pensamento, decidi-me por escrever sobre o tudo e o nada, que é uma prática muito em voga nas terras do interior e até mesmo nos montes onde a Internet ainda é só uma ideia muito simplex.

Aqui fica a crónica possível, onde não falei de sexo nem do Cristiano Ronaldo, coisas que, como todos sabemos, trazem muitas visitas aos nossos blogs.

 

João Espinho (do blogue
Praça da República)

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.