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João Távora

Outra vez as gravatas...


A Fernanda Câncio descortina aí nas ruas uma revolução a despontar, com garridas t-shirt, punhos no ar e "havaianas" (!) nos pés.  Depois, insurge-se contra a gravata, “resquício persistente da massificação e do totalitarismo vestimentar, do medo de sair da norma, da obediência cega à convenção”. Uma grande maçada. A jornalista, como é seu timbre, enfrenta com firmeza o diabo ou tão só os seus fantasmas (em sentido figurado, pois bem sabemos como estas figuras vão contra as suas arreigadas crenças). Uma vez mais bate-se pela sua nobre causa: enquanto Portugal inteiro não trajar inteirinho como na noite do Agito ali ao Bairro Alto, a moça não vai desarmar.


Atendendo à sua angústia das gravatas, apenas lhe digo que o preconceito é uma coisa tramada, que tolda a liberdade de escolha. Além disso a idade ensinou-me que esse sentimento promove o rancor, turva a vista e estorva o pensamento. Enfim, também faz mal à pele.

Eu nada tenho contra uma original t-shirt ou chinelas de “meter o dedo”, nem vislumbro obscuros sentidos num piercing malandro ou numa madeixa pintada. E passados já muitos anos sobre a minha adolescência, aceito conformado e com bonomia que andamos por cá principalmente para servir os outros. E mal andarei eu quando ambicionar o contrário. Com ou sem gravata.


 


Imagem: Mulher com gravata preta, por Amadeo Modigliani

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