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João Távora

Do anticlericalismo

A tese defendida nestas páginas * é a de que, se é certo que o melhor juiz do cristianismo é o cristão, o segundo melhor juiz será o confucionista. O pior juiz de todos é aquele que, hoje em dia mais se presta a fazer juízos: é o cristão mal formado, que se vai tornando gradualmente num agnóstico mal disposto, enredado até ao fim numa batalha cujo começo nunca entendeu, afectado até ao fim por um tédio com não sabe bem o quê, já fatigado de ouvir aquilo que nunca ouviu. Este homem não avalia o cristianismo com a calma com que o avalia um confucionista. Não é capaz de, por um esforço de imaginação, colocar a Igreja Católica a milhares de quilómetros de distância de si, suspensa em estranhos céus matinais, e de a julgar com a imparcialidade com que julga um pagode chinês. 

 

* O Homem Eterno (1926) Aletheia Editores 2009, de G. K. Chesterton, inglês poeta e filosofo, católico convertido e “optimista feito a pulso”.