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João Távora

Paciencia de Jó...

José Saramago é, na minha opinião, um escritor mediano e homem amargo, zangado com a vida e com a humanidade, e prova viva da total arbitrariedade política do “prémio Nobel”. Com uma sensibilidade comercial impar, o autor move-se e manipula como poucos o espaço mediático, em especial quando lança uma nova produção: a um estalar de dedos, a grande nação jornalística lança-se-lhe submissa aos pés, para gáudio dum pequeno Portugal ressabiado, jacobino e dogmático. Só assim se entende o porquê dum país inteiro despertar a uma segunda-feira com as rádios televisões e jornais proclamando as blasfémias do escritor: contra todos os filósofos ou homens de cultura dos últimos dois mil anos, o senhor Saramago vem a descobrir e denunciar que afinal a Bíblia “é um manual de maus costumes”.

Toda a vida houve quem dissesse grandes disparates, sem que deles fosse necessário apelar ao contraditório, à razoabilidade ou ao bom senso: eram simples disparates que não saiam dalgum pasquim, de conversas de café ou de salão. A diferença nos dias de hoje é o sucesso instrumental que facilmente obtêm estas frases assassinas, acalentadas por uma comunicação social que se alimenta, não dos factos ou da informação, mas da polémica sensacionalista. Mesmo que isso reverta na desinformação de muita gente incauta ou promova os mais obscuros projectos políticos.