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João Távora

Cartões de Natal

Desde que trabalho em comunicação empresarial que todos os anos na véspera da quadra natalícia  se me põe o mesmo dilema: que fazer com o costume das “Boas-festas” aos clientes e parceiros?  Será esta uma eficaz acção de relações públicas ou antes uma irritante espiral de desperdício da qual as empresas e instituições não se conseguem libertar, aprisionadas que estão umas às outras em cumprimentos meramente protocolares?

Para lá duma meritória política de Solidariedade Social que extravasa este tema, parece-me que o que sobra do espírito de Natal, uma festa de natureza intimista e familiar, para o mundo empresarial é realmente pouco. Mas até hoje nunca tive convicção suficiente para propor a extinção deste ritual: é difícil ter uma boa desculpa para não retorquir educadamente a um Cartão de Natal. E se assim é, acabo todos anos condescendendo à tradicional dança de cartões, se possível com um desenho original, de preferência em apoio de alguma instituição carenciada, e sem esquecer a imprescindível "versão electrónica interactiva".

Vêm estas palavras a propósito duma inocente provocação aqui há dias do Paulo Pinto de Mascarenhas em que afirmava que não há Cartões de Boas-festas grátis. Tirando uma leitura das relações sociais "à moda da National Geographic", e apesar de os "verdadeiramente desinteressados” estarem em vias de extinção, ainda os há: são os Cartões daquele parente diplomata, e de um ou outro amigo mais antiquado ou extravagante que teima calorosamente em fazer-se presente na árvore de Natal cá de casa. Uma coisa impossível de fazer com as milhentas bonecadas que entopem a minha caixa de correio electrónico ou a página do facebook nesta quadra. Sinais dos tempos.