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João Távora

A Guerra dos Sexos

 

Ontem quando levávamos os pequenos com a primalhada ao cinema para ver a "Princesa e o Sapo" (magnifico musical animado à boa maneira Disney), alguém sugeriu que o filme talvez não fosse indicado para rapazes. Após uma súbita insegurança, lembrei-me que, a mim ou aos meus pais jamais terá passado pela cabeça que filmes como a "Branca de Neve" ou a "Gata Borralheira", "Bela Adormecida" fossem para meninas. Eram simplesmente para as crianças, verem e brincarem desaustinados em correias nos intervalos das matinées

Mas não deixa de ser irónico que quase cinquenta anos depois delas se vestirem de calças e terem queimado os soutiens, após ter sido decretado o ensino unisexo e rifado o mesmo por troca com o acético "género", conquistadas as quotas que precedem a vitória final, se tenha afinal nos dias d’hoje tornado tão radical a diferenciação simbólica dos sexos. As meninas modernas apropriaram-se da monarquia, querem ser princesas e viver em palácios, monopolizaram o roxo e o cor-de-rosa, consomem em exclusivo uma parafernália de símbolos, séries e roupas, as "Winx", "Hello Kitty", "The Saddle Club", "Hanna Montana", "Demi Lovato", "Dora a Exploradora", o "Mundo de Patty", toda uma iconografia menino não entra.  Enfim, suspeito que em tempos de domínio relativista e "revolução de costumes", uma bizarra contra-revolução avança silenciosa: as miúdas, de pequenas conquistam e demarcam impiedosamente o seu território, nada de misturas, nada de meias-tintas. Afinal a guerra dos sexos não é a luta de classes, é garantia e perpetuação da incontornável  atracção dos opostos. 

 

Com a colaboração especial da minha filhota querida