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João Távora

É assim a vida no pântano

 

Se por causa da tragédia da Madeira é admissível o pouco destaque dado à manifestação Pela Família e pelo Casamento*, que levou ontem milhares de portugueses a descer a Avenida da Liberdade, pela generalidade da comunicação social e em particular pelos jornais diários de hoje, parece-me simplesmente infame a concepção da peça publicada no Público onde, às páginas tantas, o (pouco) relevo dado ao evento se resumiu quase à troca de provocações entre um insignificante grupelho de extrema direita que seguia no final do cortejo e duas dezenas de patuscos junto ao cinema S. Jorge. Afinal, relatar os factos em função dum preconceito e para o justificar, trata-se duma tremenda desonestidade, uma transgressão seriamente comprometedora do livre arbítrio do leitor que é usual e impunemente levada à pratica pela generalidade dos jornalistas nas questões fracturantes "da moda". Nada de estranhar afinal quando se verifica como a mentira vem sendo um artificio tão vulgarizado a começar pelos mais altos dignitários dos órgãos de soberania. Afinal, neste pântano todos os répteis tem o seu papel.

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