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João Távora

O perdão a história e o erro

Independentemente do que me parece ser a intransigência dos ofendidos, considero  louvável o pedido de perdão do bispo Richard Williamson, por ter negado o Holocausto. Afinal os cristãos não se distinguem por qualquer dom especial de inocência, mas pela pressuposta exigência de arrependimento e regeneração face ao erro.


“Para todas as almas que ficaram verdadeiramente escandalizadas com o que eu disse, diante de Deus, peço perdão” declarou o bispo numa carta, escrita ao Vaticano. Nela, Richard Williamson afirma que “o Papa e o meu Superior, D. Bernard Fellay, solicitaram que eu reconsidere as observações que fiz na televisão sueca há quatro meses atrás, pois suas consequências têm sido muito pesadas”.


Segundo explica, “observando essas consequências, posso verdadeiramente dizer que lamento ter feito essas observações, e que se eu soubesse de antemão o dano e dor a que elas dariam origem, especialmente para a Igreja, mas também para os sobreviventes e parentes das vítimas da injustiça sob o Terceiro Reich, eu não as teria feito”.


De resto, exigir-se que a Igreja Católica, uma instituição global, milenar, eminentemente orgânica e plural, reflicta uma imagem unívoca à maneira dum partido político gerido por uma agência de comunicação, é um equívoco tremendo, só possível por má fé ou ignorância potenciada pela ditadura do sound bite, ou da "informação chiclete".


 

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