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João Távora

Os novos fariseísmos

Parece-me que a Ana cai aqui num inocente equívoco, confunde os “princípios” com a subjectividade da acção concreta e relacional: a Igreja de Cristo deverá ser absolutamente determinada quanto aos princípios e só assim faz sentido como religião como absoluto que “religa, e confere sentido” sob o risco de o deixar de ser. Já no âmbito do concreto, das pessoas e das suas atitudes nas suas circunstâncias, a tolerância (caridade, sim!) e o perdão são premente dever dessa Igreja (entendida como hierarquia e comunidade de cristãos), seguindo os ensinamentos de Cristo que se fez crucificar ao lado de dois ladrões (chame-lhes mulher adultera, carrascos nazis, comunistas, pedófilos, o que quiser), a quem, mediante o arrependimento sincero lhes concedeu a remissão dos seus pecados “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. Esta é a grande revolução cristã, ainda hoje mal compreendida.

De resto não nos podemos deixar iludir pelo fariseísmo dominante como tão bem refere aqui o João Miranda: o valor que as pessoas atribuem à Liberdade de Expressão não se mede pela tolerância em relação a ideias populares. Mede-se pela tolerância em relação a ideias impopulares. Recentemente, um bispo foi expulso da Argentina por negar o Holocausto. Ninguém protestou. Eu por mim convivo conformado e quotidianamente com maoistas e estalinistas, que até têm representação politica em diversos órgãos de soberania nacionais.

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