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João Távora

Notas numa tarde de convalescença

Os discos pop ao vivo são um equívoco total. Aquilo que é magia num concerto torna-se um castigo ou um enfado no aparelho em casa. Primeiro, porque um bom tema pop jamais deveria exceder três ou quatro minutos: dois versos, dois refrãos e um solo de guitarra chegam para um grande sucesso. Por exemplo, Once Upon a Time in the West, um belíssimo tema dos Dire Straits numa certa versão ao vivo chega quase aos oito minutos convertendo-se assim num verdadeiro massacre. Segundo, porque a gravação em estúdio tem arranjos e pós-produção (fotoshop) impossíveis de reproduzir ao vivo… aí é literalmente com o barulho das luzes que a coisa se compõe. Terceiro: a captação sonora em estúdio é incomensuravelmente melhor. Quarto, quem quiser uma boa colectânea dum artista certamente encontra-a “de estúdio”.

De resto, como em tudo na vida, "nem sempre nem nunca": há gravações ao vivo memoráveis nem que seja porque aquele urro gutural que se ouve da plateia num momento artístico mais intimista é… o seu.

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