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João Távora

Ossos do meu ofício

 

Um colégio infantil é um tão estranho quanto fascinante microcosmos. Aquele de que vos falo, foi por onde passaram todos as nossas crianças desde há dezanove anos para cá, quando abriu lá em S. João, e é hoje coabitado em harmonia pelas criancinhas do berçário à quarta classe, e por uma tropa fandanga de mulherio que, com apreciável competência, preenche quase em exclusivo todos os quadros profissionais da escola - auxiliares, administrativas, educadoras, professoras, psicólogas (as únicas com direito a titulo de doutoras) e a directora.

Só num mundo caricato assim se justifica a convocação dos encarregados de educação hoje para às 15,00hs, não para verem o jogo Portugal vs. Brasil, mas para a festa que a classe finalista do primeiro ciclo (de que a minha filhota pequena faz parte) vem preparando com esmero. Enfim, imagine-se a dificuldade que irão ter os pais diligentes a justificarem no emprego a dispensa à hora da bola, por uma festa no colégio do seu petiz. Eu lá estarei conformado naquelas cadeiras baixinhas, com os ouvidos... divididos.

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