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João Távora

Uma palavra que valha mil imagens

O valor da palavra nestes tempos de aparências anda pelas ruas da amargura. Só isso justifica as intenções de voto no partido socialista perto dos 30% nas mais recentes sondagens.

Houve tempos em que a palavra dada pesava na consciência do homem comum. Então, a desonra dum incumprimento na sua expressão extrema era duramente cobrada em primeiro lugar pela consciência do próprio. Aldrabões, cínicos e hipócritas sempre os houve, mas eram excepção à regra, que a moral era regulada por sólidos valores. Hoje a palavra foi banalizada e já não veicula o individuo, vale pouco. Tudo se descarta, a mentira é tolerada, aceite como normalidade, do mundo empresarial à política e até nas relações pessoais. A cultura relativista do individualismo, tudo dessacralizou e promove uma extensa gradação de meias verdades e meias mentiras, um jogo de sombras e subjectividades que desfiguram o conteúdo em favor da forma, duma "narrativa” ou duma “ilusão eficiente” que seduza o patego.

Num momento em que o nosso País se confronta com uma das mais humilhantes crises da sua história, talvez seja tempo de inverter esse paradigma. Quero crer que muitos incrédulos portugueses confrontados com mais um acto eleitoral e respectivo folclore, rendidos à inevitabilidade da factura que lhes irá ser cobrada, anseiam por pouco barulho, alguma sobriedade e referências aos mais perenes valores da nossa civilização.

Nesse sentido, quero manifestar aqui o meu desejo de que a direcção do CDS, num rigoroso respeito pelo seu ideário, saiba interpretar esses sinais como uma oportunidade de afirmação clara do seu património ideológico; conservador, personalista e cristão. Se é um facto que um duríssimo programa económico nos está predestinado pelas necessárias contrapartidas ao resgate da nossa dívida, sobra-nos como partido pugnar pelos nossos valores humanistas, tão ferozmente agredidos pelas duas últimas fracturantes legislaturas.

Espero que a campanha eleitoral do CDS se pugne por um excepcional sentido de responsabilidade, jamais cedendo ao populismo ou ao relativismo demagogo que trouxe o nosso país até à presente tragédia. Por uma vez na história da nossa democracia, exije-se aos partidos a sóbria humildade de não prometerem aos eleitores menos do que uma verdade inteira: a nossa terapêutica e redenção como comunidade passa inevitavelmente por um espinhoso caminho de escassez e sacrifício. A bandeira para tal desígnio só pode ser Portugal e os seus valores fundacionais, mais nenhuma.

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