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João Távora

O (des) acordo ortográfico

Um texto meu aqui em baixo, provávelmente sem interesse nenhum, sugere um comentário anónimo em que alguém se insurge contra a grafia utilizada, segundo o novo acordo ortográfico. Logo a seguir outro acorre ao mesmo tema, desta vez reclamando com a coerência de critérios. 

De facto pulula por aí uma KGB da ortografia que amiúde castiga implacavelmente qualquer deslize alheio. Claro que nunca ninguém viu a estes moralistas da língua algo publicado com um mínimo de relevância ou criatividade. Percebe-se: eles são apenas os “siguranças” escrita, agentes secretos que ocupam o seu desgastado neurónio na vigilância ortográfica e na punição dos prevaricadores. Como é evidente maior parte destes comentários injuriosos não são publicados, seguem diretos para o lixo.

Finalmente quanto ao "acordo" em si não tenho uma posição definitiva. Tendo acompanhado com interesse alguma discussão, não me sinto habilitado a sustentar qualquer dos partidos. Reconheço a inconveniência de algumas palavras perderem literalmente o sentido, e confesso que chateiam-me as regras mudadas a meio do (meu) jogo (vida) e a previsível inabilidade de interiorizar a nova grafia, mas tenho o assunto como facto consumado. De resto, Causas perdidas já me bato por muitas, inspiradas em Valores fundamentais que cultivo como decisivos para um Mundo mais respirável. Decididamente o (des) acordo ortográfico não é uma delas.

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