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João Távora

Para catástrofe já basta a realidade

 

O frenesi dos jornais à volta das declarações de rendimentos dos ministros e gastos na organização dos seus gabinetes, sem enquadramento ou critério editorial que não seja o sensacionalismo que sempre resulta da coscuvilhice parece-me lamentável. A evidente coresponsabilização do 5º poder na situação a que chegámos e consequentemente quanto aos desafios que nos esperam, exigiriam também ao jornalismo, no meu entender, uma séria reflexão e reformulação dos seus processos e valores. Por exemplo, num artigo de hoje do Jornal i, “Gabinetes do governo já custam mais de um milhão de euros por mês”, não encontramos uma linha, um quadro que compare, coloque sob perspetiva, os recursos despendidos pelos últimos executivos na sua organização. Isso sim seria uma investigação de interesse público que ajudaria a entender da “bondade” da atual gestão dos ministérios, e quem sabe no final talvez… se revelasse uma verdadeira “notícia”! De resto face à impopularidade das fatais medidas para a redução do deficit e controlo da dívida pública (a começar pelos tão reclamados cortes nas gorduras do Estado que inevitavelmente importunarão o “Monstro” com consequências fáceis de adivinhar), a exorbitação das mais básicas pulsões de inveja e ressabiamento no pagode afigura-se-me uma estratégia totalmente redundante. Para catástrofe já basta o que basta.