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João Távora

Sexo, e então?!

 

Nas férias que há pouco terminam, o meu pequenito e eu fizemos uma descoberta: o Zig-zag, um programa infantil do Canal 2 do Estado com uma original oferta de animações de diferentes origens. Parecia-me uma boa solução para fugir à preponderante produção norte-americana que também consegue atingir a mais confrangedora vulgaridade plástica. Até que um dia destes, num intervalo da série “Jerónimo Stilton” cujo genérico aprendemos a cantar os dois, apareceu uma reportagem sobre uma iniciativa do Pavilhão do Conhecimento,  a exposição “ Sexo e então?!”. Atónito, na convicção de que aquele assunto ultrapassaria o entendimento duma criança de quatro anos, assisti a alguns minutos duma visita guiada pelos mais espantosos maquinismos, jogos e figurações sobre os órgãos usos e práticas, tudo na perspectiva de desmistificar o relacionamento sexual nas mais inventivas recriações. Nessa noite ao jantar o miúdo balbuciou uma estranha pergunta com referência a facas que saíam da boca e se espetavam noutra cabeça. Perante o espanto geral, eu relacionei a descrição com um mecanismo apresentado na rubrica televisiva que consistia em duas cabeças de criança frente a frente, com colossais bocas abertas donde saíam enormes línguas que manipuladas como fantoches pelos petizes penetravam a outra boca, numa atroz caricatura de um beijo.

Tenho para mim que entre o arcaico preconceito puritano, com raízes na ancestral (e bem-sucedida) cultura europeia de controlo de natalidade e a banalização do sexo como mero “apetrecho de prazer consumista” há um enorme território de bons princípios que não são reconhecidos pelo Estado que sustento com os meus impostos. É nesse sentido que considero meu dever formar e proteger os meus filhos desta catequese adolescentocrática que sobrevive aos diferentes governos cuja trágica impotência “ideológica” os limita ao “pragmatismo” da medíocre gestão económica da coisa pública. Enquanto isso, resta-nos erguer muralhas em torno das nossas comunidades familiares e construir "arcas" que resistam ao dilúvio da escura noite civilizacional do ocidente cujo mais elementar bom senso nos deveria fazer temer. 

 

Imagens daqui