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João Távora

Os primeiros discos 78 rpm

Grafonola 

Columbia Vita Tonal nº 112 de 1925

 

O disco, uma invenção atribuída ao inventor alemão naturalizado americano Emile Berliner, concorreu com o cilindro de cera desde os primeiros anos do século XX. Apesar de possuírem mais capacidade de armazenamento (dois lados) e serem mais fáceis de guardar, os discos não se impuseram logo de início no mercado devido à sua extrema fragilidade, só a partir de 1910 com a aplicação de uma bem sucedida solução de goma laca que permitia a sua prensagem a partir de uma matriz, as suas vendas ultrapassaram os célebres cilindros de Edison. Foi aliás tarde e na iminência de falência que Thomas Edison converteu a sua produção a este formato que afinal perdurou até ao inicio dos anos 50 quando surgiram os "Long Playing" de 33 rpm e os "Singles" 45rpm hoje designados por vinyl.

 Pesados e rígidos, os primeiros discos feitos para rodar entre 75 e 78 rpm eram gravados por métodos integralmente mecânicos e acústicos e por isso tinham uma sensibilidade a frequências muito limitada, com preponderância quase total da captação das intermédias. As frequências muito baixas (graves) e as muito altas (agudos) não eram registadas. Assim, por uma questão de eficiência os metais e a percussão eram os instrumentos mais utilizados, para acompanhar as cançonetas ou até curtas áreas de Ópera, facto que também explica o sucesso de inúmeras Marchas e Polcas então gravadas. Por exemplo, o violino mal se ouvia na reprodução, tendo a determinada altura sido essa limitação contornada com a engenhosa montagem de uma campânula cónica na parte traseira do instrumento para reforço da projecção do seu delicado som agudo. Estas limitações só foram ultrapassadas pela gravação electrónica (pela utilização de microfones e amplificadores), método que se veio a generalizar a partir dos anos 20 do século XX.  

Os discos eram reproduzidos nas mais abastadas casas burguesas ou em bailaricos de paróquia em mais ou menos sofisticados gramofones, cuja potência e qualidade sonora dependia do tamanho e do material usado na campânula por onde se projectava o som. Estes aparelhos funcionavam com geringonças de corda, cuja precisão e potência chegava a garantir a audição afinada de três discos sem se ter de dar à manivela. Outra curiosidade era a frequência do consumo das pontiagudas agulhas de metal (as marcas aconselhavam a sua troca por cada audição) e que eram vendidas às centenas em coloridas caixinhas metálicas que hoje fazem as delícias dos seus coleccionadores. Foi a partir dos anos vinte que, com as mesmas características dos gramofones, se popularizam as 

portáteis grafonolas, geralmente em formato de "mala" onde uma pequena campânula se escondia no seu interior. Estas eram bem menos elegantes e potentes que os gramofones, mas bem mais económicas, fenómeno que potenciou a sua democratização e consequente expansão da indústria de gravação. As tabelas de vendas de discos em revistas começaram nos anos 40 tendo por essa altura a revista americana Bilboard começado a publicar a lista dos mais vendidos. O galardão Disco de Ouro que assinalava a venda de um milhão de cópias foi pela primeira vez atribuído em 1942 a Glenn Miller.

 

 

 Gramofone

Um esplêndido His Master's Voice de 1920 com uma campânola de madeira
para um som forte e suave

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2 comentários

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    João Távora 12.05.2015

    Caro Fernando:
    Ao que parece faz referencia a discos dos anos 40, que poderão ter bastante interesse (para um coleccionador), principalmente de cantores portugueses. Se estiver interessado em vender e estiver na zona de Lisboa, eu gostaria de dar uma olhada.
    Cordeais cumprimentos
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