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João Távora

O medo de sentir medo

O Homem fica sempre mais frágil quando rejeita os seus sentimentos. Exemplifico com um bastante desprezado, mas afinal tão valioso como os outros: o medo é o principal inimigo da realização humana, e o maior adversário da liberdade individual; se por um lado potencia a inércia e a omissão, também acciona a violência mais irracional. Mas aquilo a que chamamos “valentia” significa uma de duas coisas: ou inconsciência, ou… o domínio sobre o medo. Para domina-lo é necessária inteligência para o reconhecer, racionalizar e ponderar os nossos limites.  A isso se chama sabedoria.

Por esse caminho chegamos à conclusão de que o medo faz muita falta: é salutar que tenhamos medo de atravessar o Marquês de Pombal pelo meio da Rotunda, ou a 2ª circular fora duma passadeira para peões. É salutar um pai ter medo de deixar o seu filho sozinho perto duma piscina. É normal termos medo de caminhar por um caminho às escuras. O medo das alturas pode salvar uma criança de cair da janela. Odiamo-lo, mas à sua ausência chamamos inconsciência, irresponsabilidade.

 

Texto reeditado

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