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João Távora

Os mal-amados


Estes dias difíceis da crise, de incerteza e aflição que atravessamos, têm o condão de evidenciar desmesuradamente o pior das pessoas, depois ampliado nas redes sociais e nos blogues. Muitas vezes instigadas por figuras públicas com agenda política mas sem tento na língua, assim acende-se o rastilho com que explodem e se multiplicam autênticas matilhas sectárias e persecutórias na internet, a brandir o insulto mais rasteiro e xenófobo. É assim que com motivações diversas e despoletadas por insuspeitos epifenómenos, incendeiam-se os mais inopinados ódios: por causa de uma inadvertida opinião, um tom de voz afectado, uma frase infeliz ou simplesmente descontextualizada da sua fundamentação. Este prodígio de constante catarse expele bílis por todo o lado, menos onde se justificaria que é num divã do psiquiatra. 
É esta a minha perspectiva sobre o chinfrim que estalou recentemente à volta da conversa duma tal Pepa Xavier e de uma marca de telemóvel. Ou sobre os tumultos verbais a propósito de Isabel Jonet e agora a verborreia imunda por causa da gravidez da ministra Assunção Cristas. Tudo serve para que as redes sociais se transformem numa imensa casa de banho pública.
Resta-me a convicção de que a opinião pública é bastante diversa da opinião publicada. E que a alma do povo português está longe de se reflectir nos blogues e nas redes sociais. De qualquer maneira é demasiada essa gente que, a espumar rancor, ao som de “Imagine” se entretém a rufar os tambores de guerra sob qualquer estímulo ou pretexto. E se o objectivo é aborrecer, desmoralizar, às vezes até conseguem.

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