Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

João Távora

"Faz filhos"

A crónica desta semana de Rui Ramos no Expresso toca na ferida, foca aquele que é o grande pesadelo das sociedades democráticas liberais, que em Portugal se revela de forma bem severa: a crise na família tradicional, fórmula experimentada para o sucesso individual e civilizacional. O tema, como refere o autor, não é de fácil abordagem, mas é urgente a ousadia de o abordar sem tabus, e sob outro pretexto que não da sustentabilidade das pensões e da empregabilidade dos professores.

Observemos os factos: Os dados do INE indicam que o número casamentos tem diminuído 8% ao ano (12% no caso dos casamentos católicos), e que os divórcios têm registado um crescimento anual de 3% por cento. A ser assim, em 2012 haverá em Portugal 27 400 casamentos, contra os 49 178 de 2004 e 30 150 divórcios, ao invés dos 23 348 verificados em 2004. Da constatação da crise na família tradicional, contrapõe-se que desta dinâmica de "emancipação individual" brotaram conceitos alternativos de família, sempre exaltados pela nomenklatura do politicamente correcto. O problema é que esses modelos emergentes da “revolução cultural” se revelam totalmente estéreis, eu diria decadentes: Em 2012 em Portugal, o número de nascimentos caiu para menos de 90 mil, o valor mais baixo dos últimos 60 anos - 1982 foi o último ano em que houve substituição de gerações. Nesse sentido repito uma nota que aqui deixei há dias: a origem do decréscimo de nascimentos é de índole cultural e não se inverte com estímulos financieros do Estado. Por isso é que sou forçado a concordar com Tiago Cavaco citado por Rui Ramos na sua coluna: “constituir família é a suprema forma de rebeldia”. E os cristãos praticantes são a “real contracultura”. 

 

Título roubado do tema musical de Tiago Cavaco Faz Filhos, do seu mais recente álbum.