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João Távora

A revolução do Papa Francisco

 

Brasão do Papa Francisco

 

O Papa Francisco ter sido eleito a personalidade do ano pela revista Time é um facto que me enche de profunda alegria e que aproveito para aqui partilhar umas linhas sobre o fenómeno de popularidade que vem marcando os primeiros meses do seu pontificado. Estou em crer que a principal característica com que o Príncipe da Igreja de forma surpreendente vem encantando o mundo cristão e não cristão é, para além da óptica “política” da sua proveniência de fora da Europa, a afectividade e alegria que a sua comunicação transmite, tanto mais que esta Igreja Católica (universal) é a mesma de sempre com os seus sólidos dogmas e princípios, assim como as fragilidades que comporta uma realização de dois mil anos, de inspiração divina mas profundamente humana. Ou seja, o fenómeno procede não tanto da substância mas de questões de forma, prisma com que, para o bem e para o mal, sempre se produzem resultados mais imediatos em termos de popularidade: o Papa tem um carisma especial, com o qual vem fazendo passar uma mensagem de esperança nestes tempos de férrea crise. 
Nesse sentido há uma singela e comovente história que circula nos meios católicos que reflecte bem não só a boa índole do Papa Francisco mas que também servirá porventura para a gestão de expectativas daqueles que julgam encontrar uma revolução em cada seu gesto. Sendo as residências de Jorge Bergoglio e Joseph Ratzinger vizinhas no Vaticano é do conhecimento público que os dois Papas se encontram com alguma regularidade e que certamente trocarão impressões sobre as mais variados assuntos. Ora, conta-se que uma certa manhã na Casa de Santa Marta verificando-se um inopinado atraso de Sua Santidade para o pequeno-almoço, em vão o procurava o seu Staff por todos os recantos e proximidades do edifício num crescendo de preocupação. Eis senão que o Papa Francisco surge apressado para retomar a sua refeição matinal e o incidente explica-se: tinha ido levar ao mosteiro Mater Ecclesiae nos jardins do Vaticano, a Bento XVI, os célebres croissants da Casa de Santa Marta que lhe estavam destinados. Ao que consta, ainda quentes. Esta é a revolução inspirada em Cristo que afinal hoje como há dois mil anos os Cristãos estão desafiados a realizar dentro de si. Para o Outro. 

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