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João Távora

O Eusébio é de todos

Umas palavras sobre Eusébio, não tanto o grande homem que genialmente goleou o destino, mas o mito que nesta hora de luto o País inteiro celebra em comoção unanime. Ao contrário do que acontece com os adversários em convicções ou valores, cujo triunfo constitui sempre uma ameaça aquilo que cada lado acredita, no âmbito da competição desportiva que se rege na esfera do simbólico, este constitui um precioso elemento de valorização do opositor. Se é verdadeiro que a grandeza do Benfica nunca teria sido a mesma se não fosse Eusébio, o mesmo fenómeno sucedeu aos seus rivais, cuja dramaticidade das suas derrotas e vitórias valorizaram-se nessa medida. Veja-se o papel de engrandecimento mutuo que assumiu a rivalidade entre Vitor Damas e de Eusébio, fenómeno extensível aos dois clubes por si representados nos anos sessenta e setenta, o Benfica e o Sporting. O que seria do prestígio de cada um se não fosse o outro? Ou de como a amargura das derrotas é inversamente proporcional às alegrias nas vitórias, que por sua vez são proporcionais ao inconfessável reconhecimento do valor do adversário. Que interesse teria um desafio entre o Benfica e o Porto como o que se realizará no próximo fim-de-semana se não estivesse implícito por ambos o reconhecimento da grandeza do outro?
É nesta perspectiva que o mito de Eusébio extravasa definitivamente a camisola que circunstancialmente envergou e aprendeu a venerar: a sua passagem pelos relvados nacionais, pelas vitórias e derrotas infligidas, dignificou e promoveu os adversários tanto quanto o seu próprio clube. Por tudo isto a genialidade de Eusébio é património de todos nós. E se querem saber, suspeito que ontem o reencontro de Eusébio com Damas junto do Altíssimo tenha sido um momento de enorme júbilo, que quem sabe ainda resultará numas emocionantes jogatanas de bola, lá onde quer que estejam agora. 

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