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João Távora

Da forma e do conteúdo

“porque é que a Inglaterra mantém um regime monárquico, liberal e ordeiro, enquanto na Europa temos agora a paixão pelo despotismo popular e republicano, no lugar antes ocupado pela paixão pelo absolutismo real?”


Edmund Burke*




Acredito na democracia como o melhor meio para uma sociedade mais justa, promotora da liberdade, da igualdade de oportunidades, e responsabilizadora de todos nos destinos da comunidade.

No entanto a democracia não dá respostas a tudo: os seus valores fundamentais não prosperam por meio de meras formalidades; ela própria tende a promover padrões discursivos, culturais e éticos medíocres. Veja-se o que aconteceu com a democratização da televisão nos anos noventa: entre outras coisas o povo deixou de ver teatro, assistir a palestras e a ter noites de cinema. Na disputa politica, vejam-se as parangonas politiqueiras que sobejam para consumo das massas na comunicação social. Uma democracia de carroceiros resulta inevitavelmente numa barbárie de canalhas.

Certamente será tão pouco democrático o estado promover a tradição do cristianismo como obrigar o povo a ouvir Bach e a ler os clássicos.

Eu sonho pertencer a um povo mais culto, mais sofisticado e exigente no que diz respeito aos valores da liberdade, do mérito e da justiça. Por isso sou democrata e monárquico.


 


Post dedicado ao Tiago Moreira Ramalho e inspirado na 1ª parte do ensaio de João Carlos Espada “O Mistério Inglês e a Corrente de Ouro" publicado no jornal i de ontem.

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