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João Távora

O grande estigma

No Diário de Notícias de hoje a candidatura de Laurinda Alves como cabeça de lista do Movimento Esperança Portugal (MEP) para as eleições europeias é noticiada em duas diferentes abordagens: a primeira, numa simples notícia e a segunda na rubrica  “Alegações finais” na última página. Até aqui tudo bem, parece-me meritório o destaque dado pelo jornal a uma candidatura que surge de “fora do sistema”. O que já me custa a entender é a obstinada insistência da jornalista em confrontar a candidata com a sua posição contra o aborto por ocasião do referendo, aparentemente como se tal de um handicap se tratasse. Se calhar, algo me escapa. Na entrevista assinada pela jornalista Paula Sá constituída por sete questões, o tema é levantado por três vezes: uma como título, a declaração: “É redutora a barricada do ‘não’ ao aborto”, e depois, na questão/afirmação “Está ainda muito conotada com o movimento do “não” ao aborto no último referendo”, e a seguir na última pergunta (esta com ponto de interrogação): “E não teme ser atacada durante a campanha pela sua posição contra o aborto?”. Finalmente, na noticia da página 18 o “caso” é denunciado sem subtilezas através da fotografia de arquivo que mostra a candidata ao lado de Manuela Ferreira Leite por ocasião da campanha da associação “Independentes pelo não”, devidamente legendada com a frase “Laurinda Alves na campanha pelo ‘não’ ao aborto (ao lado de Ferreira Leite).

Sem querer discutir as boas ou más razões do ‘não’ e do ‘sim’ ao aborto, questiono-me antes se o estigma provém, numa lógica maniqueísta e muito pouco democrática, de se ter um dia assumido uma opinião "derrotada". Afinal, à boa maneira dos sovietes a “civilização” de uns poucos é o nosso estreito e inevitável destino.


 

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