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João Távora

Blacksad - bestial

A Banda Desenhada (BD) não morre assim. Por mais que esta actividade aparente uma lenta decadência, e para os mais distraídos se resuma a umas marginais experiências pseudo-intelectuais, às tiras de jornal ou às revistas de consumo rápido. O facto é que com um pouco de atenção encontraremos nos escaparates das livrarias interessantes obras que em nada desmerecem os clássicos que fizeram da 9ª uma das grandes artes do século passado.
Hoje escrevo sobre Blacksad, um sombrio mas inteligente detective privado, com cabeça de gato, que se move num animalesco ambiente decadente e urbano. Contracenam neste palco personagens com faces de animais em corpos humanos. Esta particularidade torna-se quase subtil: cada animal representado sem dúvida exprime dramaticamente o carácter do personagem... em que quase sempre se exceptuam os personagens femininos, que talvez para imprimir maior carga erótica mantêm os traços faciais mais humanos... sexismo?!
Na BD, tão importante quanto a técnica do desenho, é a arte de contar uma história. Em Blacksad, o encadeamento do guião e dos desenhos, é vivo e ritmado, possuindo uma interessante profundidade dramática. O sucesso da obra é plenamente alcançado pelos espanhóis Juan Díaz Canales (texto) e Juanjo Guarnido (desenho), ambos com os estúdios Disney no curriculum.
Para os amantes do género, aconselho que se deixem surpreender por Blacksad, uma divertida e envolvente série publicada em Portugal pelas edições ASA, claros sinais de boa saúde da 9ª arte. E ainda faltam umas horitas para o fecho da feira do livro... no Parque Eduardo Vll.
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