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João Távora

22.Dez.18

Reverentes e obrigados

João Távora
Ontem passei a manhã nas finanças de Cascais a resolver um problema da minha mãe onde estava seguramente mais gente à espera de ser atendida que na manifestação dos “coletes amarelos” à portuguesa (um embaraçoso equívoco) no Marquês de Pombal. Às tantas naquele ambiente macambuzio e coibido ouvi um colega de infortúnio perante a perspectiva de passar o resto do dia ali retido desabafar à sua companheira que “é melhor ficarmos, que isto com as finanças não se (...)
17.Dez.18

Recuperar o orgulho, mudar a sorte

João Távora
“O caso dos Távoras, como se disse, era relativamente excepcional. Deve-se ter em conta que, pelo menos no início do séc. XVIII, se atribuía a essa linhagem e aos que dela descendiam uma identidade peculiar (consubstanciada numa singular altivez e espírito guerreiro), que não tinha paralelo com nenhuma outra família. Não era comum uma tão forte consciência da identidade e da pertença a uma linhagem. (…)” In O crepúsculo dos grandes (1750 – 1832) pp 86 de Nuno Gonçalo (...)
13.Dez.18

A falta que faz um pai...

João Távora
 Queria escrever um texto sobre a importância da paternidade, advogar em causa própria (tornei-me um pai a tempo inteiro), algo que nestes tempos de feminismos exacerbados e decadência da chamada “cultura patriarcal”, talvez seja um atrevimento. Não quero de todo contrariar o cânone contemporâneo de que Pai e Mãe devem partilhar funções em casa: de facto não está escrito nos cromossomas quem deve lavar a loiça, mudar a fralda ao bebé a meio da noite ou pendurar a roupa no (...)
11.Dez.18

A grande borrasca

João Távora
A frustração que deve ser prá Catarina e pró Jerónimo a circunstância de não serem verdadeiramente oposição no contexto político turbulento que se aproxima...: as greves agendadas são uma suave prova de vida que prejudica sempre os mesmos mansos sem direito a semana de 35 horas e com um ordenado mesmo mínimo. A Europa entretanto desmorona-se e a nossa esquerda radical vai faltar à festa, essa é que é essa. 
27.Nov.18

A luta de classes deu a volta

João Távora
“Devolvam-nos o caviar” é o titulo do novo livro do João Gomes de Almeida, que reúne as crónicas que ele vem publicando (à borla) no jornal i e Eco. Isto confirma a minha suspeita de que o melhor do João,  que é um belíssimo publicitário, sempre foram os títulos – não desfazendo.  Mas a questão principal é que este título nos remete para uma trágica realidade a que urge a ciência política debruçar-se: aqui chegados o poder político e económico, não está na (...)
20.Nov.18

O grande buraco

João Távora
Quem veja a fotografia aérea da estrada que desabou entre duas explorações de mármore em Borba vê uma amarga metáfora sobre o desleixo nacional e o enorme buraco subjacente. Não é preciso ser engenheiro civil para  perceber que aquela estrada deveria ter sido vedada há muito, que houve incúria da autarquia e ganância na exploração das pedreiras de um lado e do outro da velha estrada. E não, este problema não se restringe às autarquias do Portugal profundo ou (...)
10.Nov.18

Assembleia da "república"

João Távora
O meu austero professor da primária na Escola da Câmara da Rua da Bela Vista (à Lapa), o professor Júlio (que distribuía reguadas épicas aos mais cábulas), quando apanhava os alunos em rebuliço berrava que a sala de aula "não é uma república!" Nesse sentido a assembleia deles em S. Bento não deixa os créditos em mãos alheias. Mais do que corarmos de vergonha alheia com as justificações da deputada Emília Cerqueira no confrangedor caso das falsas presenças em plenário de (...)
31.Out.18

A Nobreza de Portugal

João Távora
Foi já há alguns meses que me dispus a apoiar a Catarina Guerreiro  na sua intenção de escrever um artigo sobre a nobreza em Portugal nos nossos dias e não me arrependi: tirando as manchetes que pretendem causar sensação ao público com alguns clichés (que há sempre alguém disposto a confirmá-los) o artigo (é só um artigo para uma revista generalista, não um ensaio cientifico) está bastante bem concebido e o texto denota a seriedade da abordagem da jornalista. Claro que é (...)
25.Out.18

As minhas causas

João Távora
Perguntam-me como, confrontado com a "realidade", não desisto. A tentação da descrença é grande. Ajuda-me o facto de, como cristão, não estar autorizado a isso. E os meus filhos, o mais pequeno com 11 anos, cujos olhos brilham como os meus um dia brilharam de espanto e esperança. E depois, repare-se como a razoabilidade, o compromisso e o bom-senso estão tão mal cotados por estes dias. Porque é mais cómoda a ingenuidade cândida ou o catastrofismo cínico: tudo isso nos isenta (...)