Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

João Távora

03.Mai.24

"E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía" *

João Távora
Quando no feriado do 1º de Maio à tarde atravessei a pé a Alameda D. Afonso Henriques, em pleno encontro do “povo trabalhador”, deu para constatar que a média de idades dos participantes, longe das grandes multidões dos anos 70 e 80, não andará distante dos sessenta anos. Ou seja, a grande maioria daqueles com que me cruzei, são os mesmos que andam nessa vida, de manifs, greves e reivindicações, há cerca de cinquenta anos - curiosamente exibindo o mesmo trajar e estética (...)
25.Abr.24

Golpadas e revoluções

João Távora
  Evidentemente saúdo a democracia recuperada há 50 anos no 25 de Abril - quase desbaratada de seguida. Afinal, foi ao tempo da monarquia liberal, ao longo do século XIX, que se ensaiaram os primeiros e acidentados passos duma democracia moderna, um processo interrompido com o regicídio e a 1ª república. Para celebrar o nosso regime liberal representativo não são necessários exercícios infantis de diabolização do passado. Acontece que não nos aliviam a consciência das (...)
21.Abr.24

Ribeiro Telles, um monárquico arquitecto da democracia

João Távora
Escapará por certo a muita gente que Gonçalo Ribeiro Telles, entre os anos cinquenta e setenta do século XX, assumiu um importante papel na transição do regime, que culminou com a sua eleição como deputado da AD e designação para Ministro da Qualidade de Vida do governo de Francisco Sá Carneiro. Tal percurso aconteceu, resumidamente, com a criação em 1957 do Movimento dos Monárquicos Independentes, a que se seguiria o Movimento dos Monárquicos Populares, com a posterior (...)
17.Abr.24

E pur si muove!

João Távora
Da leitura que faço da história de Portugal na primeira metade do Séc. XX, fico com a ideia clara de que Salazar se limitou a governar ao “centro” que é para onde empurram sempre os ventos da História. Tenho o entendimento de que o chamado “centro” em política é simplesmente o pensamento dominante em determinada época. Ou seja, a luta política pelos seus actores e lideranças sectárias, não é mais do que a promoção de um determinado modelo de ideias no espaço do (...)
05.Abr.24

Prognósticos só depois do jogo

João Távora
Amanhã à noite Alvalade estará em euforia para aquele que julgo ser o mais importante dérbi dos últimos anos. À tradicional rivalidade entre os dois clubes vizinhos, junta-se a luta pelo título de campeão, cujas oportunidades de disputa se encontra cada vez mais limitada: a seis jornadas do fim, Sporting e Benfica, nesta ordem, ocupam os dois primeiros lugares do campeonato com a diferença de um ponto, destacados do terceiro. Este jogo acontece quatro dias depois de um outro (...)
31.Mar.24

Páscoa em tempos de cólera

João Távora
Nunca como nestes últimos dias da Semana Santa, que favorecem o recolhimento em memória da paixão, morte e ressurreição de Jesus, tinha intuído tão clara e profundamente a oposição entre "Realismo" e "Subjectivismo". Este último conceito refere-se à percepção do sujeito no confronto com os factos que testemunha, uma visão precária e condicionada à sua psicologia, à sua sensibilidade no momento, e inteligência. Já o conceito de "realidade" tem a ver com outra (...)
25.Mar.24

A tenaz

João Távora
A vozearia sobre a viabilidade do governo AD sem maioria absoluta ainda vai aumentar mais uns decibéis. Se a esquerda à espera de melhores dias se distancia higienicamente dos “retrocessos” e de fantasmas fascistas (sempre assim foi), do outro lado, André Ventura vitimiza-se por não lhe darem lugar numa dança que na verdade não quer dançar. Se é verdade que para um Tango são precisos dois, definitivamente não é nesses maus modos que se pede a uma senhora para dançar, (...)
19.Mar.24

Dia do pai

João Távora
Só quem leva a sério o seu papel de pai, sabe como é ingrata essa tarefa. Logo de início, quando os filhos nascem, entendemos como o nosso papel é secundário, subsidiário em face ao da mãe com que um dia quase foram um só. Se nessa altura, na revolução que é a chegada de um novo ser à família, a prestação do homem é preciosa para manter a ordem na casa e libertar a mulher para aquilo que seja insubstituível no cuidar do bebé, é então, ao apreciar aquela relação que (...)
14.Mar.24

Greve dos jornalistas

João Távora
Antigamente comprava-se um ou outro jornal quotidianamente, diário ou semanário, consoante o atractivo que apresentava, escolhido por causa dum colunista específico ou algum assunto destacado na capa. Gosto muito de ler jornais, por isso hoje teimo comprar um semanário ao fim de semana e assino um jornal online para a família toda, independentemente dos conteúdos diários que apresente.  Salvaguardadas as diferenças, confesso que esta greve dos jornalistas se assemelha demasiado (...)
12.Mar.24

Mãos à obra?

João Távora
Mais que ripostar ou atender à verborreia chantagista de André Ventura, o que compete ao futuro Governo é responder de forma peremptória, pragmática e perceptível, às expectativas do eleitorado descontente que emergiu, em grande medida da abstenção e das periferias sociológicas e geográficas do nosso país – os desistentes. Ao contrário do que nos querem fazer crer as elites urbanas, não se tratam de reivindicações ideológicas aquelas que nos trazem os descamisados que (...)