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João Távora



Terça-feira, 15.09.15

A crise dos refugiados

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A crise dos refugiados, suas causas e consequências no sensível mosaico das nações europeias, possui uma enorme complexidade e como tal tem que ser interpretada sob diferentes perspectivas. Infelizmente, o democrático “pensamento único” obriga a que todos a interpretemos pelo mesmo prisma, o das vítimas, homens mulheres e crianças, cujo desespero requer uma resposta urgente. Ao abalançarmo-nos para outras leituras não sujeitas ao “sentimentalismo radical”, arriscamo-nos a ser apelidados de xenófobos, que como sabemos nos dias de hoje é ignomínia que nos pode marcar por muito tempo como lepra. Nesse sentido queria destacar a coragem do Luís Naves que esteve na fronteira da Hungria e vem publicando no Delito de Opinião as suas impressões e testemunho no olho do furacão desta crise, cuja nossa percepção é pouco mais que vaga ou parcelar. Por exemplo, podemos imaginar a inquietação e a controvérsia que causaria neste jardim à beira-mar se centenas de milhares de refugiados entrassem de forma desgovernada pelas nossas fronteiras a dentro em poucas semanas? 

O que mais me espanta no “pensamento obrigatório”, maniqueísta e linear, é a indiferença que sobressai perante a questão mais hedionda que esta crise levanta: a do tráfico humano, um negócio em expansão de que todos acabamos coniventes. A par da urgência da criação de infra-estruturas e equipas de auxílio em pontos-chave para acolhimento e recenseamento dos migrantes, parece-me que urge uma operação de grande envergadura para aplacar os criminosos que se aproveitam do desespero alheio. Depois, talvez seja altura da Europa, para que se possa abrir a outros povos e costumes sem receios, reconsiderar a importância da sua matriz cultural e religiosa, sem complexos.

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por João Távora às 10:11



5 comentários

De Pensamentos Nómadas a 15.09.2015 às 13:53

Dá uma olhada no meu artigo "À conversa com um refugiado e ex-combatente sírio", tens lá umas pistas sobre a "complexidade":
http://pensamentosnomadas.blogs.sapo.pt/a-conversa-com-um-refugiado-e-6382

De praquistanense a 15.09.2015 às 21:58

pessoalmente não acho correto, que a europa tenha obrigações, ou que tenha que ser o escape e o refúgio de todos os problemas que acontecem no mundo, nomeadamente áfrica e ásia.
tem de haver bom senso, e cada um tem de resolver os seus próprios problemas e conflitos e nesse aspeto a europa pode e deve ajudar, em aliança com a ONU.
se assim não for, os politicos europeus, estão a dar proteção e encobrimento a um negócio chorudo, da atualidade, que é o tráfico de pessoas; por outro lado, quem assegurará, que no meio de milhares migrantes, venham umas centenas largas de criminosos fugidos da justiça e/ou até terroristas??!! e já agora, se acham que temos obrigação de dar as mãos a sirios, afegãos,argelinos, congoleses, sudaneses e outros, então esperem por outros que estarão nos próximos anos na calha, tais como paquistaneses, nepaleses, chineses, filipinos e muitos mais.............

De Anónimo a 16.09.2015 às 00:29

Demagogia

De Plebéia. a 16.09.2015 às 09:08

Este comentário em nada tem a ver com o texto que aqui escreveu.
Mas sim a uma questão. Sou Republicana, respeito obviamente os Monárquicos e as causas que por mais absurdas que perante factos históricos, me possam parecer.
Agora lendo o seu perfil do seu blog, diz-se "exilado no Estoril".
É ironia e eu não a percebi como tal, ou então (se não estou a ser inconveniente), esse "exílio "deve-se a quê e porquê?

De João Távora a 16.09.2015 às 09:18

É apenas ironia de quem nasceu e cresceu em Lisboa, cidade para onde gostava de voltar um dia.
Cordeais cumprimentos,

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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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