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João Távora

A globalização da humanidade

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A meio da semana passada, impressionado com as notícias que vinham da Tailândia, perguntei aos meus filhos pequenos se sabiam do que se estava a passar. Não sabiam: como a maioria dos jovens e das crianças, hoje em dia conseguem viver numa bolha onde convivem com a “realidade” que escolhem seguir, por via do Youtube, do Instagram ou dum qualquer canal de séries ou desenhos animados sempre ao dispor. A razão por que nesse dia os obriguei a ver um noticiário da TV foi por considerar que aquele “caso” era definidor do que é uma autêntica “notícia”, além disso capaz de comover o mais empedernido adolescente. Esta história de 13 destemidos jovens sepultados vivos nas entranhas impenetráveis da terra e a obstinação de uma comunidade quase planetária disposta a tudo fazer para os salvar concentra em si o dramatismo mais profundo da condição humana seja na sua fragilidade ou nobreza. A complexidade de todas as histórias que daí se ramificam, da angústia dos pais e familiares aos heróicos mergulhadores que arriscam a vida num diabólico labirinto de corredores e câmaras rochosas submersas pelas impiedosas águas das chuvas…  E a eventualidade da humanidade por uns instantes expurgar a sua alma colectiva com o sucesso desta operação, coroada com uma triunfal presença dos rapazes Domingo que vem na final do Mundial em Moscovo? Um final que se faça hino ao que de melhor é capaz o ser humano.

Os meus miúdos já acompanham as notícias que nos chegam das grutas do norte da Tailândia que depois debatemos e aprofundamos à mesa em família. Não como uma novela ou um torneio de futebol como sugeria há dias no Facebook um “intelectual” sempre enfastiado. Uma comoção verdadeiramente global que espelha a humanidade que somos todos independentemente da geografia, história e da língua com que nos fizemos gente (desculpa lá o mau jeito John Lennon). Porque o que está em jogo é o simples duelo entre as trevas e a luz, e nisso (quase) todos sabemos de que lado somos.

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