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João Távora

A Liberdade e as Fake News

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Não sei até que ponto a recente mania das "Fake News" corresponde à do demonizado "boato" que nos tempos do PREC os revolucionários combatiam com o denodo de um censor soviético. Também não sei onde nasciam esses boatos, se nos gabinetes dos políticos, nas messes dos oficiais do MFA, ou na praça pública, fervilhante daquilo a que hoje se chamam “activistas”, imbuídos de sua natural vertigem sectária. Hoje como sempre, o controlo da "revolução" passa pelo domínio da narrativa, e essa pretensão é o perigo que mais devemos temer. A diabolização das redes sociais e dos fenómenos daí emergentes insere-se nesse âmbito, e revela a velha tentação censória do “discurso” dominante, das “elites” instaladas. A pressão exercida por elas, aliás, vem dando resultados, e nota-se bem por estes dias uma mudança no algoritmo das grandes plataformas em rede que ultimamente vem favorecendo os conteúdos dos media tradicionais (no Facebook essa experiência é claríssima). 

Acontece que “notícias falsas” sempre existiram e existirão. As fronteiras da propaganda com o exagero ou a mentira sempre foram difusas – a propaganda é uma arma de guerra, um inestimável instrumento da luta política. O actual incómodo com as "Fake News" está na sua democratização e na perda do seu controlo, digamos, “institucional”: com o advento das redes sociais e da facilidade de auto-edição (sem intermediação), toda a gente pode ser um agente criador ou disseminador de aldrabices ou, pior ainda, de meias-verdades. Mas não nos esqueçamos nunca que a isso, quer se goste quer não, corresponde a um acréscimo de liberdade. A liberdade de, por exemplo através dum blogue como este, se conseguir confrontar os poderes instituídos (onde se inclui o jornalismo) com interpretações alternativas aos factos em discussão. O meu ponto é este: no meio desta confusão de narizes das redes sociais a última coisa que devemos recear é a liberdade. Só com a liberdade o equilíbrio encontrará o seu caminho.

Publicado originalmente aqui

 

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