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João Távora

As luzes da ribalta

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Reduzidas as medidas de coacção ao mínimo, e terminado o prazo legal para a conclusão do inquérito judicial sem uma acusação, José Sócrates encontra-se em condições excepcionais para fazer aquilo que mais gosta: actuar sob as luzes da ribalta.

Com extraordinários dotes de retórica e um ego alucinado, o “animal feroz” que com inaudita determinação conduziu os destinos do País ao descalabro financeiro, confronta-se hoje, não já com a sua sobrevivência política que é um caso perdido, mas com o desfio da sua defesa na justiça. 

Uma oportunidade para protagonizar uma novela de grande audiência em que, respeitando um minucioso guião, se vai dedicar a gerir os danos infligidos na sua fustigada reputação. Independentemente do desenlace, para a história constará que foi o primeiro-ministro que levou o país à falência, e que depois foi para Paris viver à grande e à francesa, à custa dos milhões dados em espécie por um amigo que geria uma empresa com negócios com o seu governo. Como foi possível semelhante personagem entrar na História do meu país ao tempo da minha geração, é para mim uma pergunta perturbadora.

Publicado originalmente no Diário Económico