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João Távora

Estado de sítio (15)

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Coronavírus hoje em Portugal – 9.034 casos, 209 vítimas mortais

Fiquei muito impressionado ontem à noite quando num zapping entre os noticiários, depois duma notícia com Jair Bolsonaro (devidamente depreciado pela jornalista) nos seus modos grosseiros a relativizar os efeitos do coronavírus na saúde das pessoas, me deparo com uma outra vinda da India, onde também foi decretado o estado de emergência e o confinamento. A reportagem documentava a brutalidade da polícia armada de chibatas a expulsar os miseráveis feirantes num mercado, e milhares de trabalhadores sazonais subitamente sem emprego a retornarem aos seus locais de origem; uns aos magotes a tentarem entrar nos comboios e outros ainda mais pobres, a palmilharem esse caminho a pé com uma trouxa às costas. Com este murro no estômago fiquei a perceber melhor o discurso absurdo do presidente brasileiro: em certos países com muita pobreza, em que grande parte da população vive de expedientes diários para se alimentar, por causa do confinamento a fome e a miséria prenunciam-se dantescas. 

Cá por casa a vida confinada continua, e esta manhã cruzei-me na sala com a minha filha que assistia no seu computador portátil a uma aula de direito das sucessões, vestida com pijama e pantufas nos pés. Não me pareceu apropriado.