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João Távora

Estado de sítio (9)

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"Senhor, como é bom estarmos aqui!"
Mateus 17:4

Já andamos confinados há alguns dias, o ânimo começa a ser um bem menos abundante, e começa a ser-nos exigido ir buscar toda a boa vontade ao fundo da alma – é proibido embirrar. Hoje seria dia de Missa. É estranho um Domingo sem aquela tradicional agitação matinal para irmos ao Estoril à missa da… uma da tarde. A Igreja de Pedro, esposa de Cristo fica gravemente ferida quando não possa ser vivida em comunidade. O terço a Nossa Senhora, com a leitura do evangelho do dia, tem sido religiosamente cumprido por nós todos, com uma visita ocasional da minha sobrinha Sofia por WhatsApp.
Esta manhã voltei à minha corrida higiénica matinal por ruas normalmente desertas de S. Pedro do Estoril, e surpreendeu-me o número de pessoas e famílias que passeavam sozinhas ou em pequenos grupos a arejar a cabeça. Se o confinamento é para durar, há que arranjar estratégias para aguentar. Da janela, na praceta onde moro, deparo-me com os velhotes que vêm esticar as pernas à rua e que ficam à porta da tabacaria a cavaquear. Como dizia uma “amiga” minha no FB “é trade-off entre probabilidade de infecção e saúde mental”. Mas como também não os vejo aos abracinhos, presumo que o risco não seja grande.
Entretanto, pelos números de infectados dos países nossos vizinhos parece que a Europa do Sul se tornou no “epicentro da Pandemia” e preocupa-me ainda não serem evidentes os efeitos do confinamento social, não havendo provas de que alguma vez o serão. E para lá da importante questão económica (peço desculpa pela inconveniência) quanto tempo aguentaremos uma situação destas?
Termino com a questão que mais me preocupa neste momento: espero estar enganado, mas desconfio que a tragédia em Portugal vai surgir dos lares de velhinhos que, sem material de protecção para os funcionários, não estão preparados para defender os seus residentes.

Como é que é tão difícil a uma civilização que levou o homem à lua isolar os lares de idosos de um vírus?