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João Távora

Na crista da onda

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As 15 alterações na avaliação dos alunos em 16 anos são um indicador preocupante da falta de uma verdadeira estratégia para o ensino em Portugal, que tenha em conta as nossas especificidades históricas e sociológicas.

É curioso como, pelo menos desde o 5 de Outubro de 1910, o Portugal revolucionário persegue e importa fanaticamente toda a sorte de modas moderninhas com que vem consolidando a sua posição nos últimos lugares entre os países europeus em matéria de desenvolvimento. 

Se, pelo país fora, os portugueses desconfiam de tanta reversão e súbita prosperidade, a criançada anda radiante com a sanha redentora das esquerdas unidas em matéria de exames. Os mais pequenos até acreditam que um dia se vão libertar da repressão da matemática e eu compreendo porquê. Afinal, a aritmética é a base ideológica da austeridade e as contas de multiplicar a ferramenta preferida do capitalismo. Depois, o resultado exacto e indiscutível de uma conta de diminuir pode significar uma violência traumática para o inocente infante.
De resto, o anúncio do fim dos exames do sexto ano, que António Costa afirmara no parlamento serem para manter, contrariam o seu adágio preferido que ainda lhe vai ser cobrado com língua de palmo: “Palavra dada, palavra honrada”.

 

Publicado originalmente no Diário Económico