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João Távora

No caminho da miséria

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Regressado dum memorável e intenso fim-de-semana alargado em Milão onde fui pela primeira vez para visitar a minha filha, sou testemunha duma agitada metrópole com uma economia pujante que parece pulsar indiferente ao alarmismo pandémico. Multidões de pessoas percorrem as ruas e praças de cara destapada, sendo unicamente obrigatório o uso de máscaras em espaços fechados, como transportes públicos (à pinha - mesmo no domingo) monumentos, museus, lojas e restaurantes que fervilham com autóctones, estudantes e turistas. Quando segunda-feira às 5 da madrugada me deslocava para o aeroporto de Bergamo, reparei da janela do autocarro no imenso movimento de transportes de mercadorias repletos de contentores, que numa frenética corrida nocturna às centenas arribavam à cidade.
Se não é necessário fazer turismo para verificar a imensa diferença entre as economias das cidades de Milão e de Lisboa, com esta visita fiquei com uma amarga sensação de que a disparidade se irá acentuar com a pandemia e a maneira como a encaramos por cá -  como se não bastasse o excesso de socialismo. No domingo à noite, no único noticiário televisivo a que assisti, a peça sobre o crescimento da epidemia, apareceu apenas em 5ª lugar, quase 15 minutos passados do seu início. Segunda-feira já em Lisboa a caminho de casa ao ouvir as notícias da rádio deu-me a sensação que, por cá, se vive uma calamidade.  

* Fotografia minha da Praça do Duomo, no passado domingo de manhã.