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João Távora

O diletante

 

Pela minha parte tenho como verdadeiros os atributos e competências atribuídas pela jornalista Maria Teixeira Alves a Ricardo Salgado que o Daniel insinua serem padrão da atitude de servilismo existente em relação aos poderosos. Até poderá ter alguma razão mas enganou-se no exemplo. Sei por vários testemunhos pessoais como o banqueiro é uma pessoa de trato fácil, que procura uma proximidade e um contacto directo com as pessoas sem pruridos hierárquicos que, com o dom de uma memória prodigiosa, a todos trata amigavelmente pelo nome próprio. Nada destes traços de carácter me parecem incompatíveis com erros ou crimes que Ricardo Salgado possa ter cometido no âmbito da gestão dos seus negócios e que se espera seja julgado com isenção. Daí que me pareçam abusivas as ilações do Daniel Oliveira, essas sim fruto de ressentimentos ideológicos (desprezo cultural, como o próprio lhe chama) em relação à jornalista do Diário Económico. O problema do Daniel é, além de se deixar subjugar pelos tais desprezos selectivos absorvidos da cartilha revolucionária de que não se consegue libertar, a veleidade de querer encaixar as pessoas no seu arquétipo pequenino e a preto e branco com que interpreta a realidade à sua volta. Ainda bem que verdadeiramente não é um jornalista. Para já é apenas um diletante sobrevalorizado, o que é muito pouco para nos preocupar.