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João Távora

O obscurantismo instrumental

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O mundo está realmente perigoso. É de leitura obrigatória este artigo do insuspeito Luís Aguiar-Conraria sobre o modo como certas fraudes passaram por artigos científicos em revistas especializadas desde que correspondam a determinada ideologia ou vitimizações em voga. Se isto se passa com revistas académicas científicas, como não hão-de as redacções dos jornais papar todas as "novidades" e "estudos" das causas a que são tão atreitas? Andamos nós a queixarmo-nos das notícias falsas e boçalidades difundidas nas redes sociais...

Depois vem a reclamação duma tal "Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância"  que incita as autoridades portuguesas em matéria de manuais escolares a "repensar o ensino da história e, em particular, a história das ex-colónias" por forma a incluir temas como a “discriminação e a violência cometidas contra os povos indígenas". Tudo isto porque o ar do tempo exige, como insinua no Expresso do sábado passado Joseph C. Miller, que a historiografia deve reflectir a realidade política do seu tempo, que na Europa é de uma sociedade multicultural de acolhimento de diferentes povos, no lugar do velho conceito de "Pátria Cultural", lugar de história, heróis e valores que constituem o nosso “Chão Comum” e penhor do nosso desenvolvimento que é tão atractivo para os forasteiros (nada contra!). Onde é que fica o propósito da busca de uma verdade tanto quanto possível objectiva no meio disto é que resta saber. Que as chamadas “Ciências Humanas” são espaço privilegiado para o relativismo e propaganda já sabíamos, mas é preciso não exagerar para não se transformarem em instrumento do obscurantismo, sabe-se lá com que agenda.

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