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João Távora

Os assassinos de Jim Foley

Leio aqui e ali que o assassinato de Jim Foley remete para um suposto falhanço de estratégias políticas das potências ocidentais, com origens mais ou menos remotas e elaboradas, que têm como denominador comum a crítica à civilização Judaico-Cristã democrática e capitalista. Mas por mais hediondos que sejam, os fenómenos humanos não têm uma explicação universal e definitiva. A pretensão que tudo o que acontece pode ser (ou podia ter sido) evitado com um qualquer "plano" é de uma arrogância brutal e perigosa. Hoje como daqui a mil anos constitui um enorme risco o poder (pode ser uma bomba, uma pistola, um megafone ou uma caneta) nas mãos de um homem perverso. Se é certo que as sociedades, num processo extremamente lento, se podem civilizar (e certo é que convivem neste nosso mundo diversos estágios desiguais) a civilidade dum individuo depende de demasiados factores imponderáveis e subjectivos, à revelia das estratégias decretadas de fora para o controlar. Os assassinos de Jim Foley são definitivamente gente viciosa, a quem se espera que seja ministrada uma punição adequada. Tudo o mais, se tiver remédio, vai demorar séculos a mudar. 

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