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João Távora

Precisamos de um milagre

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As minhas preocupações mais profundas prendem-se com questões a que a política há muito deixou de acorrer. Duzentos anos passados sobre o início das revoluções liberais, a descristianização de Portugal tornou-se um processo acelerado – como no resto da Europa, o individualismo espalhou-se como um vírus que não olha a fronteiras. Aliás, a epidemia do “distanciamento social” só veio salientar a questão e agora entram-nos com violência pelos olhos adentro as igrejas encerradas e as missas cada vez menos participadas por esse país afora. A ligação à comunidade das paróquias é cada vez mais ténue, em muitos locais subsiste graças ao seu cariz assistencialista – é bom que os cristãos se distingam por cuidar dos mais frágeis. Os padres e cristãos consagrados são “a resistência” dos nossos tempos. Em abono da verdade nem a minha família (que é muito maior que a minha casa), de tradição profundamente católica romana, escapa a esta sanha pagã; o facto é que a maioria dos meus sobrinhos deixou de ir à missa e não se vislumbra que alguns dos meus sobrinhos netos venham a ser baptizados. Sim, há um problema geracional, a mensagem de Jesus Cristo, o drama humano, é pouco compaginável com o Instagram ou mensagens de WhatsApp, e não está a passar para os mais novos. Como não desejo a salvação só para mim, isso angustia-me, tanto mais que para lá do problema existencial a questão é também de identidade. De dia para dia, os portugueses, entretidos nos seus pequenos prazeres e idolatrias, vão-se desligando das suas raízes culturais (e territoriais). Ao final do dia suspeito que este não seja um problema exclusivo dos católicos. E que precisamos todos de um milagre que nos salve desta massificação hedonista e de que, um dia destes, a nossa Pátria não se dilua num mero algoritmo.

Fotografia: Igreja de S. Leonardo Atouguia da Baleia (Séc. XIII)

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