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João Távora

Réquiem

Não vêm nos jornais nem atraem as televisões, não deixam obra científica ou literária mas marcam o mundo. São heróis anónimos, “atletas da existência”, vidas venturosas realizadas na relação que cura, no resgate do outro nos territórios mais obscuros do sofrimento e desesperança. Seres de luz que tecem laboriosa e persistentemente uma rede de vida, entrega verdadeira, incontornável legado de humanidade que faz da nossa terra um sítio decente.

Identifico-me com aqueles a quem a aspereza, as contrariedades e a tensão acesa pelo desafio cavam rugas de expressão. Aqueles que não disfarçam o desassossego de uma meta que resvala com o horizonte, aquela da escolha de seguirem o modelo de Cristo. Uma caminhada inconformada, exposta às tortuosas perplexidades de uma vida abraçada de peito aberto. Todos sabemos quais os traços com que se esboça um herói – com o mais reluzente júbilo e a mais insuportável das dores. O resultado é aquele que nos deixa o mais preciso tesouro como herança – o de acreditarmos que é possível.

 

* Dedicado ao Zala, incansável cuidador de "escangalhados", que Deus o tenha em sua infinita glória. 

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