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João Távora

Sair do lixo

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Depois de ensaiarem durante a campanha eleitoral um discurso ambíguo que resultou numa radical berraria, após as eleições de 4 de Outubro os socialistas encontram-se num grande embaraço: com uma direcção fragilizada pela poucochinha votação, vêm-se encurralados pelo Bloco de Esquerda que com um resultado histórico ameaça apropriar-se do seu tradicional território “revolucionário” que de forma inconsequente o PS ocupa na oposição.
A exemplo da maioria das democracias europeias, num sistema eleitoral que favorecesse a governabilidade, a clara vitória alcançada pela coligação chegaria para uma boa maioria parlamentar.

Acontece que em Portugal se beneficia a agitação e o confronto político, que é o entretém preferencial das “elites” que nunca tiveram de pagar um ordenado, uma bagunça que resulta num bom negócio para os jornais, rádios e televisões da especialidade. Com um quadro de governação que ainda se exige austero, é fácil prever que estamos condenados a uma curta e conflituosa legislatura. Nunca mais vemos a hora de sairmos do lixo.

Publicado originalmente no Diário Económico