Silêncio que se vai cantar o fado
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A única coisa de que me queixo é da chegada tardia de Astérix à Lusitânia, ao fim de 40 álbuns de originais, quase 50 anos depois da morte de Goscinny o seu genial guionista e criador; e cinco anos depois da partida aos 92 anos de Urdezo, o desenhador que concebeu graficamente e deu vida às personagens da série. Michele Vaillant, personagem de Banda Desenhada (de corridas de automóveis que eu adorava) de Jean Graton, em 1971 já tinha vindo competir no Rally de Portugal, e voltou mais tarde em 1984 com “O Homem de Lisboa”, não sem antes ter passado por Macau em 1983. Dir-me-ão que o Hergé jamais colocou os seus personagens em terras da língua de Camões... ele era cuidadoso na indefinição dos países por onde Tintim passava, muitas vezes inventados. Mas é verdade, assim que me lembre de repente, Tintim passou pela URSS, China, Congo Belga, EUA, Tibete, Escócia, e Bélgica naturalmente (não explicitamente, julgo). Facto é que os personagens de Edgar Pierre Jacobs, Blake & Mortimer, visitaram a Lagoa das Sete Cidades na Ilha de São Miguel, Açores, no álbum “O Enigma da Atlântida”, um verdadeiro clássico.
Enfim, para a geração da Banda Desenhada de linha clara, “Astérix na Lusitânia” é assim como ganharmos o Eurofestival ao fim de décadas de irrelevância…
Mais vale tarde que nunca, recebamos estas celebridades gaulesas, Astérix e Obélix, com gáudio e todas as honras, a partir de amanhã numa livraria perto de si.