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João Távora

02.Ago.18

Vamos conversar sobre o tempo?

João Távora
Poucos climas há tão encantadores como o de Portugal. O Inverno é neste país menos áspero que nos países do norte, mesmo menos áspero que a região central de França. A neve só cai nos cumes dos montes. Gozam-se dias admiráveis que rivalizam com os nossos mais amenos dias de Primavera. No Verão, a temperatura é muito mais elevada do que em Espanha. E passam-se aí às vezes calores de abrasar, mal moderados pelos ventos quentes do Oceano Atlântico; mas encontram-se ali tantos (...)
15.Set.17

Setembro

João Távora
Em Setembro vinha o tempo de férias que sobrava e se arrastava, desenganado e indolente com o sol a baixar e as sombras a crescer, dia após dia, até chegarem as primeiras nuvens e a brisa fresca, como um prenúncio do Outono, o início das aulas, o fim da festa. Eram dias em que fazíamos da rua extensão da casa asfixiante de enfado, a jogar à bola com os outros miúdos desocupados e impacientes, perante a inquietação das mães que espreitavam à janela ansiando pelo novo ano (...)
18.Nov.16

A Casa da Avenida

João Távora
A «casa da Avenida», como ficou conhecida na família, deixou em mim uma marca indelével, como que um pilar da minha personalidade. Como casa da Avenida entendo não só o primeiro andar direito do n.º 232 da Avenida da Liberdade mas todo um ambiente caloroso de afectos e brilho que lhe imprimiam os meus avós, tios e todo o pessoal que lá servia, que, a seu modo, fazia parte da família.Com esta crónica, que serve de introdução a uma biografia ficcionada que estou a escrever sobre (...)
06.Out.16

Rua da Saudade (parte i)

João Távora
Esta é uma história de tempos felizes. Quando logo a seguir ao 25 de Abril eu arriscava dar uns passos para mais longe do refúgio familiar, com um espírito inocente e deslumbrado com as promessas da vida ao virar da esquina e ainda distante de perturbações existenciais que prenunciam a adolescência. Curioso como é mais fácil reavivar memórias luminosas (...)
06.Out.16

Rua da Saudade (parte ii)

João Távora
Há poucos meses, numa inauguração no Museu dos Coches, fui interpelado no elevador pelo R. que, depois de confirmar a minha identidade, simpaticamente se apresentou e me informou que era possuidor de um retrato meu pintado por Agath V. Radey. Foi quando uma cascata de sentimentos e memórias se desprendeu do meu arquivo de histórias – lembrei-me daquele sótão de (...)
07.Ago.16

A Ponte Sobre-o-Tejo

João Távora
Foi um ano depois de eu nascer que se iniciaram as obras de construção da Ponte Sobre-o-Tejo em Lisboa. Tenho difusas reminiscências de atravessar o rio de Cacilheiro, no velho Hillman do meu pai atafulhado de irmãos, e memórias mais sólidas de atravessarmos a ponte no Volkswagen novinho, que o meu pai jurava também ser o meu carro quando eu chegasse (...)
28.Ago.15

Alvorecer

João Távora
O Vasco Rosa, meu "analógico" amigo de longa data (daqueles a quem temos o privilégio de apertar os ossos de vez em quando), hoje surpreendeu-me com um presente absolutamente extraordinário: dois contos inéditos escritos pelo meu Pai em 1955 para a (...)
17.Abr.14

A outra casa de Abrantes ou uma história de resistência

João Távora
Com uma pose bem-humorada pouco comum numa fotografia de família do início do século XX (algures em 1908/9) aqui se apresentam, de cima para baixo, a minha tia avó Carlota, o meu avô José Maria de Lancastre e Távorae os meus tios avós, Pedro, Rita e Luísa. Num recanto paradisíaco de Lisboa entre Campo de Ourique e a Lapa, em frente a um prazenteiro chafariz ficava a casa para onde (...)
06.Abr.14

Os Abrantes

João Távora
Com uma pose bem-humorada pouco comum numa fotografia de família do início do século XX (algures em 1908/9) aqui se apresentam, de cima para baixo, a minha tia avó Carlota, o meu avô José Maria de Lancastre e Távora e os meus tios avós, Pedro, Rita e Luísa. Em breve voltarei ao assunto numa pequena crónica memorialista. 
09.Out.08

Chamem a polícia

João Távora
 Tive uma adolescência atribulada: idealista e rebelde, naqueles loucos finais de setenta, princípios de oitenta, protestei e prevariquei quanto me foi (ou não) permitido. Durante esses tempos “de crescimento”, estragos fiz que mais tarde consertei, mas suspeito que até ao fim dos meus dias verei nas ingratidões do mundo e nas insolências das minhas criancinhas todas as cobranças que se me ficaram (...)