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João Távora

12.Fev.14

Em choque

João Távora
É possível estarmos uma eternidade sem saber de um velho amigo de outras vidas, daqueles fortes que nos assaltam os sonhos, e receber a notícia de que ele se suicidou há mais de vinte anos? É, e hoje dormi mal a pensar no assunto.  
04.Set.08

Uma nova etapa

João Távora
  O meu pequenote vai amanhã pela primeira vez para o colégio. Irresistível com a sua figura de anjo renascentista, já leva dezanove meses de existência e tornou-se num miúdo alegre, irrequieto e obstinado. É fanático por automóveis e bolas (mesmo antes de dizer mãe adoptou duas onomatopeias para evocar esses seus objectos de culto) e nos últimos tempos tem sido a “alegria do (...)
24.Jun.08

Pai de família

João Távora
  Quando em qualquer contexto me adjectivam como “pai de família”, sinto um misto de orgulho e decepção, já que a paternidade para mim, mais do que um papel é um "estado" sem mérito, tão inevitável quanto eu ser homem ou ter olhos azuis. Depois, é a minha  traiçoeira imodéstia que aspira a distinta adjectivação, como se tal fosse importante ou influísse na (...)
27.Fev.08

Uma história sem moral

João Távora
No outro dia, ao contornar a sumptuosa estátua do Marquês de Pombal, a minha filha de sete anos perguntou-me quem era aquele personagem de cabeleira lá em cima de tão magnificente pedestal. Falei-lhe então do Sebastião José, politico astuto, ambicioso e visionário. Acontece que por razões óbvias e para não faltar à verdade não pode ignorar o seu carácter facínora. Logo notei como criara a confusão naquela cabecinha maniqueísta e cheia de conceitos absolutos. Perguntou-me a (...)
17.Fev.08

A Quaresma

João Távora
Na Quaresma o grande desafio é o da conversão. Do próprio, que esse é um processo do foro íntimo de cada um. Agora, a minha prioridade é o profundo e redentor encontro com Jesus. Como homem completo, sozinho, em comunidade ou em família. Mesmo no epicentro da vida, com o barulho e as luzes do mundo, no agitado quotidiano que não dá tréguas. O desígnio é um
13.Fev.08

Amanhã é dia de quê?

João Távora
Diz que amanhã é Dia dos Namorados. Mas o "dia dos namorados" não é quando "o homem quiser". De nada serve um ramo de rosas congeladas compradas à noite, à vinda de Cascais, onde vou buscar o rapaz ao treino. No trabalho não há escapatória, que amanhã é dia da newsletter... e ainda não temos a versão em inglês. E o bebé ainda estará com aquela constipação que tanto nos afligiu esta noite? Será que aquilo é uma otite? E que, tal despachados os miúdos, aproveitarmos a (...)
01.Dez.07

Sólidos rituais

João Távora
Com a casa meia engripada, sinusites e gargantas inflamadas, a tarde correu ensimesmada e morna, com muito Canal Disney e jornais de fim de semana. Mesmo assim o pequeno mais pequeno, deploravelmente ranhoso, viu hoje surgir a um canto da sala a sua primeira árvore de Natal. Radiante, a árvore iluminará durante mais de um mês o Presépio, ritual que se repete indefinidamente por forma a lembrar-nos que estamos em festa, preparando-nos para o nascimento do nosso Salvador.
26.Out.07

Um epíteto equivocado

João Távora
Nas caixas de comentários do Corta-fitas são recorrentes provocações maliciosas que me atribuem um carácter puritano ou moralista. Por achar o epíteto francamente estranho e até um tanto engraçado, tomo-o aqui como desafio a algumas considerações que julgo pertinentes. O puritanismo como putativo reflexo de uma vivência religiosa é um cliché vazio, posso garanti-lo. Tomo, na verdade, o puritanismo como um modo de autocastração com origem numa deficiente auto-estima, e muito (...)
26.Ago.07

Tomando sempre novas qualidades...

João Távora
A maior "revolução" operada na sociedade contemporânea, subtil e orgânica, é aquela que aconteceu à relação entre o pai e os seus filhos. Mais até do que as conquistas femininas, de lugares nos estádios ou em promissoras carreiras. Apercebo-me hoje que o meu pai ainda esboçou uns tímidos esforços, desajeitadas tentativas de intimidade, inspiradas nos inevitáveis sinais de mudança. Mas a rigidez dos "papéis" estava-lhe demasiado impregnada. Assim como aquela solidão. A (...)