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João Távora


Quarta-feira, 05.09.18

Unir o Sporting

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Apesar de nenhum dos 7 candidatos a presidente do Sporting me ter deslumbrado particularmente tomei a decisão de votar em Frederico Varandas. Convenceram-me a sua genuína vontade de ocupar o cargo reflectida no corajoso e antecipado anúncio da sua candidatura, a lufada de juventude que transparece e a consistência da sua carreira como médico e militar, que dá indicações dum perfil decidido, resiliente e ponderado, qualidades necessárias para o difícil período que o nosso emblema enfrentará nos próximos tempos. Importa aqui ressalvar que se for outro candidato a obter a confiança dos sócios, esse será presidente que eu apoiarei no dia seguinte, para reerguer o Sporting do vendaval de destruição sofrido nos últimos meses e fazer esquecer o maluquinho do kamikaze cujo nome me escuso mencionar. Para que isso aconteça, no sábado os sócios são chamados a comparecer em peso, única fórmula de virarmos a página mais negra da nossa história e assim voltarmos a unir o Sporting.

 

Publicado originalmente aqui

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por João Távora às 17:52

Terça-feira, 26.06.18

Depois da tempestade

Tudo indica que Bruno de Carvalho passou à história, e passou a fazer parte do mais negro passado do Sporting. Do seu legado desastroso, para lá do desmantelamento da equipa de futebol profissional e o desastre económico que isso significa, o maior flagelo foi divisão infligida entre os adeptos com a luta de classes que trouxe a terreiro para alimentar uma guerra civil num clube que sempre foi profundamente democrático e interclassista: o Sporting fundado pela burguesia endinheirada do final da monarquia construiu o seu sucesso aglutinando no seu seio e à sua volta pessoas das mais diversas origens sociais e culturais durante mais de cinco gerações. Trazer o preconceito social e estratagemas bolcheviques para a conquista e manutenção do poder foi o mais hediondo crime de Bruno de Carvalho. A liderança que assumir a direcção dos destinos do Sporting tem um trabalho hercúleo pela frente para manter o universo Sporting coeso e a marca atractiva às novas gerações. De todas as classes, culturas e geografias.  

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por João Távora às 10:34

Segunda-feira, 18.06.18

Apanhar os cacos, fazer das misérias grandeza

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Não podemos subestimar o poder destruidor da crise que se abateu sobre o Sporting nos últimos meses e que teve o seu auge no hediondo assalto a Alcochete no mês de Maio passado. Mas é importante insistir que todo este interminável pesadelo tem um responsável, tem uma face e tem um nome: é o presidente, chama-se Bruno de Carvalho e foi instituído de poderes pela maioria dos associados para defender os interesses do clube. Com os resultados que se conhecem: a poucas semanas do início da nova época, os melhores jogadores estão em debandada, o clube descapitalizado, sem capacidade de contratação e de atrair um treinador conceituado ou empolgar os adeptos para renovarem os seus lugares no Estádio para a temporada que se aproxima e se adivinha penosa. Em minha defesa tenho a dizer que nunca votei nele: o seu discurso e estilo, desde a primeira hora me assustaram; senti que fugiam dos padrões estéticos de um clube fundado com valores aristocráticos de lealdade, honradez e razoabilidade. É de resto um indicador da insanidade desta crise quando não tenho maneira de explicar com a cabeça erguida ao meu filho mais novo os recentes acontecimentos com que os colegas da escola o confrontam e zombam. 

Por tudo isto tem sido angustiante para mim acompanhar o espectáculo do afundamento do Sporting e da sua matriz cultural, património imaterial que foi arduamente edificado ao longo de cinco gerações. Um pesadelo de que não me consigo libertar. Não é por acaso que na linguagem corrente os adeptos se confessam pertença a um clube, “Eu sou do clube x” e não o contrário – há aqui uma estranha relação de subordinação (só Bruno de Carvalho não entende esta escala de valores). São assim misteriosas as leis emanadas pelo coração, e é esse o seu fascínio. Para mais até conheço a genealogia do meu sportinguismo que desde os anos trinta se alastrou através da família e que culminou com as minhas idas ao futebol pela mão do meu saudoso Tio Manel no início dos anos 70, sportinguismo que contagiei aos meus filhos que desde pequenitos incondicionalmente me acompanharam nesta ingrata paixão.
Um aspecto importante que não posso deixar de referir nesta crónica é a minha suspeita de que a grave crise no Reino do Leão está a mascarar uma outra bem mais séria, que é a adopção pelos clubes de um discurso fanático e irracional para promover a militância mas que expulsa o simples simpatizante. Esta estratégia a longo prazo condenará o futebol a um nicho de maníacos descerebrados que são as claques. O fanatismo expulsa os simples adeptos, que não têm pachorra para o triste espectáculo de insano confronto e troca de insultos que tomou conta das notícias e dos intermináveis debates televisivos que destroem a reputação do futebol. E se, como parte dessa política de “ganhar a todo o custo” se vier a confirmar que existem movimentações obscuras de tráfico de influências e corrupção?
Termino com uma mensagem de esperança, porque uma luz ao fundo do túnel se parece acender quando o inenarrável presidente, do meio de uma espiral neurótica de descontrolo emocional (que não tem pudor de exibir diariamente nas redes sociais ou televisões) vem aceitar como inevitável a Assembleia Geral do próximo sábado dia 23 que promete devolver aos sócios o poder sobre os destinos do clube. Com essa reunião magna teremos a oportunidade de darmos início à reedificação do Sporting do rasto de escombros que é o legado de Bruno de Carvalho. Será por certo uma dura a travessia do deserto e um desafio a fazermos das misérias grandezas. Porque somos grandes, somos resistentes, porque temos de saber merecer o Sporting que nos foi legado. E sabem que mais? Estou convencido de que voltaremos a sorrir.

 

Publicado originalmente no Ponto SJ, o portal dos Jesuítas em Portugal,

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por João Távora às 18:34

Quinta-feira, 17.05.18

Um choro pelo meu Sporting

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Foi ao início do recente derby, na cena macabra das tochas arremessadas para a baliza de Rui Patrício, que eu pela primeira vez na minha já longa vida me senti a mais no Estádio de Alvalade. Na sequência dos acontecimentos prévios, o estranho à vontade e o descaramento com que essa acção foi perpetrada, demonstrava à evidência como os bárbaros tinham definitivamente tomado conta do nosso clube.

Em minha defesa tenho a dizer que nunca votei em Bruno de Carvalho, cujo discurso e estilo desde a primeira hora me assustaram. Mas confesso que nos primeiros tempos da sua presidência, perante o facto consumado, e por causa do meu amor ao Sporting, tentei assimilar o personagem, desculpando-lhe os excessos com a esperança em resultados, e diga-se em abono da verdade que alguns sinais até pareciam prenunciar as almejadas vitórias. Pus-me em causa: talvez o problema fosse os meus preconceitos, uma pessoa que tivera uma rígida educação votada para uma estética (ou ética, como lhe queiram chamar) aristocrática, um exercício que a minha vida prática e quotidiana me obriga fazer demasiadas vezes. Infelizmente, como eu receava, a coisa vai acabar muito pior do que a minha imaginação alguma vez poderia conceber, mesmo nos mais negros pesadelos.

Esta semana tem sido muito penosa para mim. Basta dizer que não tenho maneira de explicar os insanos acontecimentos que tomaram conta do nosso Sporting aos meus filhos, que na antiga tradição familiar com orgulho formei como sportinguistas e para o carácter: sempre souberam que a condição do nosso amor e lealdade não eram dependentes ou recompensa de vitórias. Acontece que a dedicação de um verdadeiro Sportinguista é fundada no carácter que só o esforço forma, na resiliência e pele rija daqueles que perdendo batalhas se reforçam e reforçam para voltar à luta apenas pela glória que só um grande amor imprime. E a recompensa de uma pertença maior, legado que nos chegou das pessoas de bem que nos esculpiram este coração de Leão que hoje sangra e chora.

Vai dar muito trabalho, no meio dos escombros e deste caos que não nos deixa ver o dia de amanhã, juntar os cacos para voltarmos de cabeça erguida a competir pelo lugar que é nosso: o de um grande clube português, de gente decente e lutadora. O resgate do nosso Sporting tem de começar hoje, expulsando de vez o usurpador.

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por João Távora às 17:47

Segunda-feira, 09.04.18

Uma espiral de loucura

Como se tem visto nos últimos dias Bruno de Carvalho entrou numa espiral neurótica de total descontrolo emocional, e parece querer afundar o Sporting Clube de Portugal consigo para o inferno em que se enredou. O problema está em saber como se lida com um homem tresloucado, com muito poder destrutivo, e como se poderão minimizar os danos deste tumulto até que se vislumbre uma solução, que só pode ser encontrada através da convocação de eleições e numa nova liderança do clube. 

Também acho estranho como não haja à volta do presidente quem o confronte com a realidade. A doideira já se vem revelando há algum tempo, pelo menos desde a inaudita convocação da última Assembleia Geral. O amor ao clube, ou o brio profissional, deveriam ser razões mais que suficientes para a demissão dos actuais Corpos Sociais. E o que é que nos tem para dizer o director de comunicação Nuno Saraiva sobre catástrofe comunicacional, um verdadeiro caso de estudo, que se vem revelando o seu exercício de funções?
Resta-me aqui elogiar Jorge Jesus que vem demonstrando um enorme sentido institucional, afirmando-se neste momento como uma peça fundamental de bom senso e equilíbrio no meio de tanto desconchavo. Quem diria.

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por João Távora às 11:11

Segunda-feira, 19.03.18

Elevar-se para olhar mais longe - uma reflexão sobre a política de comunicação do Sporting

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Que a presidência de Bruno Carvalho tem reforçado a militância dos adeptos do Sporting isso parece-me um dado que confirmado pelas assistências aos jogos nos últimos anos. Assim como o ruído das claques que durante a última década acedeu às redes de “media social”, que tomou como um prolongamento dos rituais de apoio ao clube nas bancadas – os sportinguistas “fanáticos” andam mais motivados por estes dias, e isso é positivo, digo-o sem qualquer desdém: são eles (nós) que preenchem os lugares no estádio, pagam as quotas, contribuem para a Missão Pavilhão ou outra, compram merchandising para oferecer aos sobrinhos ou afilhados, e alguns ainda compram o Jornal do Sporting no quiosque e, imaginem, participam na vida associativa do clube.

O problema quanto a mim é que o Sporting não é sustentável só com este núcleo duro, chamemos-lhe assim, tem de se elevar para olhar mais longe e reconquistar as margens e periferias, para ser uma marca atractiva num universo mais lato. Acontece que, tão importante quanto os militantes, é o universo de simpatizantes mais ou menos desprendido que não assina canais pagos de desporto e só vão ao futebol muito ocasionalmente, mas que socialmente funciona como que um “farol leonino”: na família ou no trabalho assume a simpatia pelo seu clube mas sem grande compromisso, seja porque o desporto tem um lugar secundário na sua hierarquia de interesses, ou porque não está para se chatear com mais polémicas, intrigas e aborrecimento… e porque não tem grandes expectativas que o clube lhe devolva um pouco de entusiasmo que despendeu algures no passado sendo campeão. É com este última grupo que eu me preocupo mais: para além dos meus filhos eu “eduquei” os meus muitos sobrinhos para serem resilientes sportinguistas. Levei-os ocasionalmente ao futebol, ofereci-lhes o Cachecol que hoje ainda guardam, mas com os anos e anos seguidos de frustrações foram-se desligando. Aqui chegados, queixam-se que o Sporting, não se sagrando campeão, praticamente só dá nas vistas com as polémicas estúpidas que saem nas parangonas dos jornais e que são peroradas nas TVs.
É por tudo isto que estou convicto que o Sporting para sobreviver a longo prazo tem de aumentar e atracção dos simpatizantes mais ou menos desprendidos. É evidente que a conquista do título é a fórmula mais eficaz para tal desiderato. Mas há outras, como por exemplo uma comunicação amigável que os seja capaz de cativar, que não esteja fixada nos escândalos e guerrilhas mais ou menos artificiais que os polemistas, numa violência inaudita berram insanamente na televisão. O futebol não pode expulsar da sua órbitra as pessoas razoáveis, que não o vivem como se essa actividade fora uma guerra sem quartel em que os grunhos são preponderantes.

Desconfio que por estes dias a forte militância sportinguista esteja a mascarar este divórcio que se adivinha crescente e exponencial das pessoas normais com o futebol. Na minha modesta opinião, o Sporting tem de, urgentemente, elevar-se da lama comunicacional em que é tentado a chafurdar e acautelar uma política que não afaste definitivamente da sua órbita os simples simpatizantes. Ou começar a pensar nisso, pelo menos.

 

Publicado originalmente aqui

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por João Távora às 17:22

Terça-feira, 12.09.17

Com “amigos” assim, quem precisa de inimigos?

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Bruno de Carvalho não devia menosprezar os comentários de gente insuspeita que se têm publicado na comunicação social a propósito da malfadada entrevista que se autoconcedeu na semana passada ao canal do clube durante quase duas horas e meia. Nesta altura do mandato já duvido que servisse para alguma coisa, mas talvez fosse pedagógico obrigar o presidente a ver integralmente a gravação da sua entrevista. Eu não fui capaz, tive de mudar de canal, muito envergonhado, como se fora eu a fazer aquela figura. Este é um assunto que me incomoda verdadeiramente, que mina o meu orgulho no meu Sporting.

Depois, já sob um prisma mais acima de educação e subtileza, pergunto o que autoriza um presidente que manda construir uma estátua junto ao novo pavilhão, a gravar na pedra uma citação de si próprio se não um egocentrismo desmesurado? Terá Bruno Carvalho receio que os seus sucessores não lhe reconheçam a obra? Não teria sido mais honroso que outros o citassem um dia gratos?
Se é inegável que a gestão de Bruno Carvalho tem alcançado entusiasmantes conquistas para o nosso clube, desde logo a valorização dos activos, a competitividade da equipa principal e a consequente mobilização dos adeptos, tal não deveria autorizar a incontinência verbal do presidente que aparenta laivos patológicos, que muito o fragiliza e desacredita, e espero não chegue ao balneário – principalmente aí era importante que se preservasse a autoridade do seu cargo. Para mais, suspeito que com tanto despautério e fanfarronice, a tolerância dos adeptos em face um hipotético fracasso seja zero. Com “amigos” assim, quem precisa de inimigos?

 

Publicado originalmente aqui

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por João Távora às 11:20

Domingo, 06.08.17

Ganhámos um jogo de treino

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É no mínimo preocupante quando uma equipa que tem ambições de vencer o campeonato faz mais de metade do seu primeiro jogo com um adversário que almeja a manutenção, empastelado no meio campo com baixíssima produção atacante, perdida numa experiência de última hora. O Bruno Fernandes no lugar de Podence, desaparecido nos mesmos terrenos de Adrien, foi um enorme equivoco que nos podia ter custado o empate na primeira parte. Com a equipa assim encolhida o futebol leonino claramente só desemperrou já na segunda parte com Podence à solta no último terço do terreno – o miúdo traz velocidade e rebeldia fundamental naquela zona do campo. É preocupante que Jorge Jesus teime em fazer experiências como se não estivesse em competição, mas está-lhe na massa do sangue protagonizar “surpresas” para mostrar que existe, que é ele que manda. Não havia necessidade - está claro para todos que é ele que manda - e podia ter corrido muito mal. 

À parte dessa inquietação, e para além de não termos sofrido golos, é de destacar o extremo esquerdo Acuña, que exibe uma generosidade excepcional a defender, umas ganas bestiais a atacar e um faro de golo raro. Temos Leão para atacar o título. Só espero que não percamos o Gelson Martins.

 

Texto publicado originalmente aqui

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por João Távora às 21:13

Terça-feira, 05.04.16

Do bom gosto

Perfeitamente descabida é a mais recente polémica armada à volta da proibição por parte do Sporting do uso do vermelho pelos seus atletas, pois como é fácil entender, trata-se de uma norma que vem estabelecer o mais elementar bom gosto na estética leonina. Sobre a junção do encarnado ao verde dizia Fernando Pessoa*: “(...)ser contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português – o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se (...)”.


* “Da República” Editora Ática, Lisboa, 1978

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por João Távora às 17:39

Terça-feira, 16.02.16

Um d' Os melhores golos do Sporting

Yazalde Sporting - Armazém Leonino - Sporting 197

O golo de que vos venho falar foi marcado em Março de 1974 por Hector Yazalde (Buenos Aires, 29 de Maio de 1946 - Buenos Aires, 18 de Junho de 1997), o primeiro de um desafio que o Sporting viria a perder em Alvalade por 5 – 3 naquele que foi o derby mais antigo de que tenho memória de presenciar ao vivo, para mais acontecido numa gloriosa época em que o Sporting se sagraria campeão nacional. Escolho este porque é da autoria de uma das maiores glórias leoninas de sempre que convém relevar mais e mais vezes contra o esquecimento, mas também pela forma acrobática como foi marcado - ainda hoje o tenho gravado na minha retina. Acontece que o presenciei de uma perspectiva privilegiada sobre a grande área Benfica na primeira parte. Nesse Domingo eu acompanhava o meu Tio Manel excepcionalmente em “Dia de Clube” – ocasião em que todo o público, sócios ou simples adeptos, tinham que adquirir ingresso pago, numa época louca em que no Estádio José de Alvalade cabia sempre mais um espectador. O ambiente resultava electrizante, como que explosivo.
Dizem que golos acrobáticos como este só podem acontecer quando facilitados pela defesa adversária, mas o que é facto é que, sem a facilidade dos dias de hoje de rever uma jogada de vários ângulos repetidamente durante a semana seguinte, eu nunca mais me esqueci daquele cabeceamento em voo planante para projectar a bola para o fundo da baliza de José Henriques - sem dúvida um golo de rara beleza que levantou todo o Estádio em imensa alegria (no vídeo ao minuto 1,24). O jogo, esse, que o Sporting viria a perder, foi para mim uma lição cabal da mística que possui um embate entre os dois vizinhos da 2ª Circular.
Quanto ao saudoso Yazalde que foi meu herói de menino, nessa época viria a conquistar a Bota de Ouro com 46 golos marcados, facto que ainda hoje constitui uma das maiores marcas desse prestigiado troféu europeu.

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por João Távora às 10:22

Quinta-feira, 04.06.15

O bom filho à casa torna

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Desde a surpreendente contratação de Mário Jardel que o Sporting não gerava semelhante impacto mediático. A contratação de Jorge Jesus de que já se falava mas ninguém acreditava constitui uma assombrosa notícia que ecoa das bocas dos portugueses incrédulos pelas ruas, cafés e empregos por esse hiper-mediatizado Portugal profundo que há muito perdeu a  inocência. As notícias que circulam da rede à velocidade da luz para o bolso ou secretária dos portugueses antes de chegarem aos escaparates dos quiosques são mais marcantes pelo espanto que causam do que pela substância que podem espelhar. É a civilização “Jornal do Incrível”. Nesse sentido a transferência dum lado para o outro da 2ª Circular do incontornável personagem nacional Jorge Jesus por Bruno de Carvalho é um golpe de mestre. Se, como tudo indica, o golpe significar uma injecção de capital que potencie a competitividade do plantel leonino. Se, como queremos acreditar, Bruno de Carvalho se souber entender com o novo treinador quando a pressão apertar... Se assim for, na pior das hipóteses, esta história significará simplesmente um estrondoso regresso do filho pródigo.

 

Publicado originalmente aqui

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por João Távora às 18:23

Segunda-feira, 11.08.14

Um prognóstico conservador

Volvidas centenas de contratações factuais e fictícias, profusamente anunciadas e comentadas nos jornais, rádios e televisões, termina por estes dias a estação tola do futebol. Durante mais de um mês os clubes candidatos ao título foram exibindo os seus reforços, quais messias salvadores, promessas de glórias e quimeras. Aos adeptos sequiosos, a cada jogo de treino e torneio estival, sucederam-se desilusões e ilusões, euforias e angustias, sempre alentadas pelo ócio e exageradas pelo calor das férias.

Pela minha parte já estou em condições de fazer um prognóstico, que é naturalmente conservador. Assim, este ano o Porto com novo treinador e uma equipa renovada com o refugo dos espanhóis, apresenta-se como uma incógnita - todos sabemos como os obscuros métodos nas Antas por vezes produzem "milagres". Dos lados de Carnide, conquistada ontem a Supertaça, mesmo partida, a depressão dos lampiões parece amenizada: confirma-se que Jorge Jesus não quer saber da formação, e que, apesar das saídas e dum conjunto mais ou menos remendado, o Benfica deste ano não será nem oito nem oitenta – talvez aquilo bem espremidinho até dê para ganhar alguma coisa nem que seja a Taça Lucílio Baptista.
Finalmente o que mais importa: como comprova a medíocre participação no torneio Teresa Herrera a realidade do Sporting não é para grandes euforias: apesar do modelo de jogo e dos titulares que transitam do ano passado garantirem competitividade, salvo alguma revelação imprevisível, aquilo a que se usa chamar “o banco” não parece garantir qualidade suficiente para o caderno de encargos desta época ao qual acresce a Liga dos Campeões. Esperemos que eu me engane, que o William Carvalho não seja vendido, que o André Martins (falta-lhe "um bocadinho assim") não estoire e que Montero volte aos golos. Vai ser preciso muita garra, superação e alguma sorte para atingir os mínimos pretendidos que em Alvalade é sempre ganhar tudo, no mínimo. Renovado o lugar em Alvalade, pelo sim e pelo não já tomei um duche frio e estou preparado para a nova época – com muitas ganas, mas sem euforias.

 

Publicado originalemente aqui.

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por João Távora às 18:36

Domingo, 10.11.13

Um crer imenso e uma raça indómita

Na equipa do Sporting, um crer imenso e uma raça indómita não chegam para suprir as carências de maturidade. Se é certo que pontua qualidade nalguns jogadores, onde até se vislumbram diamantes em estado bruto, salta à vista que a culpa da derrota de ontem com o Benfica para a Taça de Portugal não foi da arbitragem. Essa desculpa não servirá de entretenimento para todo o período de crescimento que ainda temos que suportar. Sempre com um crer imenso e uma raça indómita. 

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por João Távora às 14:11

Domingo, 01.09.13

Ontem houve festa em Alvalade

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por João Távora às 17:18

Sábado, 06.04.13

Assim não vamos lá, Dr Sampaio

 

Seria triste se não fosse trágico: Daniel Sampaio que com o irmão presidente da república, como outros notáveis do regime há muitos anos rondam os camarotes do poder em Alvalade, aproveita o palco que o seu apelido proporciona para numa lamentável entrevista ao Diário de Notícias fazer a mais baixa intriga política no Sporting.
Mas questiono-me como é possível que uma pessoa supostamente evoluída culturalmente debite pérolas como estas: "O Sporting tem na sua génese uma coisa terrível, ter sido fundado por um visconde". Esta alarvidade atirada à História do meu clube é antes de mais não ter a mínima noção de como no século XIX era tão ou mais vulgar ser Visconde do que hoje Comendador da república, coisa que não tem nada que ver com as origens sociais mas com o reconhecimento do mérito por parte do regime. Esta perspectiva fracturante e divisionista é reafirmada em vários momentos da entrevista do psiquiatra Sampaio, onde no meio de muita lavagem de roupa suja arremessa esta atoarda: “Daqui a um ano posso ter uma má opinião sobre Bruno de Carvalho, mas ele vai ter uma prática diferente. Ele é um homem do povo, não é um marquês. E ainda bem. Estou farto de sportinguistas de consoantes dobradas que deram cabo do clube.” Puro classismo, racismo social, como se as pessoas tivessem responsabilidades nos apelidos que herdam.
Não haverá coisa mais terrível para o Sporting do que fundar o novo capítulo da sua história com uma narrativa de terra queimada, populista, sectária e ressabiada.
Abananados com a profunda crise financeira, o ambiente neste país está cada vez mais insuportável, ressuscitada a luta de classes numa retórica cada vez mais fracturante quase bélica. Um facto lastimável que não gostaria de ver espelhado no meu clube do coração. Como Portugal é de todos os Portugueses, o Sporting é de todos os sportinguistas e nenhum adepto é negligenciável, seja qual for a ideologia que professe ou sobrenome que exiba. 

 

Imagem: José Abrantes - direitos reservados

Publicado originalmente aqui

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por João Távora às 17:43




Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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